Análises

Onde a economia desabrocha junto com as flores

Quando voltei do Parque Nacional Tankwa Karro para a Cidade do Cabo, não escolhi o menor caminho, mas o melhor trajeto: fiz um grande desvio para passear na Nieuwoudtville Wildflower Reserve.

Redação ((o))eco ·
17 de setembro de 2010 · 15 anos atrás

Dando continuidade à última postagem, quando voltei do Parque Nacional Tankwa Karro para a Cidade do Cabo, não escolhi o menor caminho, mas o melhor trajeto. Na verdade, fiz um grande desvio para passear na Nieuwoudtville Wildflower Reserve, que fiquei conhecendo um ano atrás graças a magnífica matéria de meu colega aqui em OECO Fábio Olmos (http://www.oeco.com.br/fabio-olmos/21283-as-flores-africanas-de-nieuwoudtville). Não me decepcionei. Tudo o que Fábio relatou e fotografou é verdade. Nieuwoudtville é um pequeno paraíso natural com tapetes de flores e, graças à maior precipitação de todo o Karoo, tem um belíssima cachoeira com duas quedas sucessivas.

A Reserva é municipal, mas como bem contou Fábio, seu manejo é exemplar, não encontrando rival em nenhuma unidade de conservação brasileira que eu conheço. As trilhas são bem sinalizadas, as exóticas estão sendo retiradas e quase já não existem, e há aceiros e manejo frequente para controlar o fogo.

Não vou me alongar e repetir aqui o que já foi contado com maestria por Fábio Olmos, tampouco vou me submeter ao ridículo de publicar fotos das flores da na Nieuwoudtville Wildflower Reserve, que perto das de meu colega parecem trabalho de principiante.

Vou acrescentar, entretanto, que segui a dica de Fábio e me hospedei, em Calvínia, cidade próxima à reserva, em um casarão colonial. Em conversa com o proprietário, descobri que há uma associação de proprietários dessas antigas residências transformadas em estalagens. Segundo ele, o eco-turismo garante o ganha pão e permite a manutenção dos prédios históricos.

No dia seguinte, enquanto visitava as magníficas cachoeiras da região não pude deixar de pensar e remoer (com certa dose de tristeza e decepção) as palavras com que Fábio Olmos encerrou sua coluna. Na incapacidade de expressar de forma melhor que o colega os meus sentimentos, opto por citar Fábio e encerrar a postagem por aqui:

“É interessante pensar como a cultura de um povo não apenas define sua relação com o mundo natural como as possibilidades econômicas desta relação. Algumas culturas apreciam e valorizam o mundo natural e a oportunidade de degustá-lo, o que sustenta uma parcela não desprezível de sua economia. Outros preferem queimá-lo e chamar de progresso. Uma vila com economia movida a flores e onde implantar uma reserva e um jardim botânico são estratégia de desenvolvimento deveria fazer nossos desenvolvimentistas coçar a cabeça”

Pedro Cunha e Menezes

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