Há 20 anos plantamos uma semente quando fundamos a organização sem fins lucrativos, o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, que tem como missão contribuir para a conservação da biodiversidade brasileira. O nome foi escolhido para homenagear a árvore símbolo do Brasil. Aos poucos, os brotos foram despontando além da ideia original da proteção de espécies ameaçadas, de forma a incluir a gama ampla de necessidades referentes à conservação. Algumas ramificações se dedicaram à educação ambiental, outros à recuperação de áreas degradadas, ou ainda à busca de alternativas de melhorias de vida das comunidades com as quais estávamos lidando. No cerne de nosso tronco central foi se destacando a educação. Os jovens fundadores do IPÊ perseveraram na sua formação e hoje formam uma copa cada vez mais forte e frondosa. Foi assim que percebemos a necessidade de nos dedicarmos a regar e cultivar talentos, e a repassar o conhecimento adquirido a um público amplo sobre como tratar das questões complexas ligadas à conservação.
Os brotos educacionais do IPÊ
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Além dos projetos de campo, que foram o fertilizante natural para o IPÊ original, plantamos, em 1996, o Centro Brasileiro de Biologia da Conservação – CBBC, onde são oferecidos cursos de curta duração em diversos temas da sustentabilidade. Com nossa equipe já bem preparada e madura (mais de 10 doutores), ousamos nos preparar para oferecer um Mestrado nestas áreas. A CAPES-MEC nos reconheceu como entidade de ensino superior, por achar que o IPÊ estava pronto para mais esta floração. Foi assim que, em 2008, a Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (ESCAS) começou a funcionar, compondo um importante tronco de nosso IPÊ (apoio da Natura e do Instituto Arapyaú). Agora, em 2012, ousamos ainda novos terrenos, desta vez em parceria com outras organizações (Ceats da FEA/USP e Artemísia). Juntos, desenhamos e iniciamos um MBA com uma forte concentração na sustentabilidade. Os mais de 4.000 alunos que passaram pelo CBBC, ESCAS e agora MBA são as sementes disseminadas de ipês pelo Brasil e América Latina afora.
Brotos empresariais
Ao mesmo tempo, cuidamos de novos brotos na nossa árvore. Um deles, a Unidade de Negócios Sustentáveis, costura parcerias com o mundo corporativo e com a produção comunitária de artesanatos que retratam a natureza brasileira. Esta unidade do IPÊ visa contribuir com os projetos de campo e com a própria instituição, de modo a fortificá-la e espalhar seus galhos para que sejam reconhecidos por sua beleza, estrutura sólida e seriedade de propósitos.
Outro broto do grupo IPÊ é a empresa Arvorar, que vem aumentando a escala dos projetos de reflorestamento, serviços ambientais e áreas ligadas às questões florestais das mais diversas naturezas. A visão é ampliar a copa do IPÊ para que atinja ampla abrangência e, assim, contribua mais significativamente com a missão institucional que mudou e se tornou mais complexa para refletir a diversidade de ações que a instituição agora cobre: “Desenvolver e disseminar modelos inovadores de conservação da biodiversidade e de desenvolvimento socioeconômico por meio de ciência, educação e negócios sustentáveis”.
Floração
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A floração do IPÊ vem ocorrendo em estações ritmadas, mas muito não seria possível sem um tronco administrativo sólido e estruturado, permeado de transparência e profissionalismo (que inclui auditoria externa). Uma estrutura mais consistente facilita a ramificação do IPÊ, que tem sido capaz de cultivar parcerias com empresas e governos. São muitos a acreditarem e apoiarem os esforços da instituição, o que nos dá um senso de gratidão e a certeza de que estamos no rumo certo. Os cuidados são diuturnos no semear de cada nova ideia, na rega do plantio das sementes promissoras, na eliminação de ervas daninhas com as podas necessárias, e sempre muita celebração quando novos e viçosos brotos despontam.
* Susana M. Padua é presidente do Instituto Ipê e colunista de ((o))eco desde 2005.
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