Reportagens
22 de setembro de 2009

A biodiversidade ainda tem salvação

Importante ator do ambientalismo internacional, o pesquisador Thomas Lovejoy fala no CBUC sobre impactos das mudanças climáticas no mapa da biodiversidade global, mas garante: o planeta “ainda tem jeito”

Notícias
21 de setembro de 2009

Sem estados, sem metas

Maria Wey de Brito, secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, espera ajuda dos estados para que o Brasil cumpra as metas da Convenção da Diversidade Biológica das Nações Unidas, de ao menos 10% de cada bioma oficialmente protegidos. O recado velado foi dado ontem, na abertura do 6º Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação. O déficit nacional em áreas protegidas é superior a 500 mil quilômetros quadrados, uma área quase do tamanho da Bahia. As complicações federais para transformar em realidade novas unidades de conservação são cada vez maiores, principalmente por atritos com as áreas de energia e agricultura. A situação se complica porque a Casa Civil não quer mais saber de meio-de-campo: devolveu à pasta ambiental várias processos que deverão ser negociados com outros ministérios e estados para a criação de áreas protegidas. Mais informações sobre o congresso aqui mesmo em O Eco e também aqui. Saiba mais: País atingirá metas de conservação?

Notícias
9 de setembro de 2009

ICMBio pode perder APA

O Instituto chico Mendes (ICMBio) pode perder a Área de Proteção Ambiental (APA) do Planalto Central. A transferência de sua gestão para os governos do Distrito Federal e de Goiás é proposta em Projeto de Lei do deputado licenciado Augusto Carvalho (PPS-DF), já com parecer favorável da relatora, deputada Manuela D'Ávila (PCdoB-RS). Segundo Carvalho, novos gestores teriam melhores condições para proteger a biodiversidade, assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais e regular a ocupação da área. A APA foi criada em 2002, tem 486.311 hectares (75% no Distrito Federal e 25% em Goiás) e abriga nascentes de formadores das bacias hidrográficas dos rios São Francisco, Tocantins e Paraná. A proposta será analisada em caráter conclusivo pelas comissões de Meio Ambiente e de Constituição e Justiça da Câmara.

Notícias
5 de agosto de 2009

Contradições econômicas brasileiras

Nesta semana começou em Cuiabá um encontro promovido pela Sociedade Brasileira de Economia Ecológica. A primeira palestra foi emblemática. O tema era “Serviços macrossistêmicos da Amazônia brasileira: visão sob a ótica da escala da Economia Ecológica”. Se o título parece complicado, o ponto de partida não conseguiu fugir às contradições governistas. Baseado nos estudos que provam a efemeridade da economia do desmatamento da Amazônia, em comparação a ganhos de mais longo prazo mais respeitosos à biodiversidade e ao futuro do clima, o oceanógrafo Wilson Cabral, do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), foi pragmático. “Nossas ações são contraditórias. O governo inventa uma suposta ‘BR-163 sustentável’ de um lado e do outro insere no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) o asfaltamento da estrada que liga o arco do desmatamento ao centro preservado da Amazônia, a BR-319. O governo cria diversas unidades de conservação no primeiro mandato, e no segundo aprova a lei que legaliza a grilagem na Amazônia”, diz o especialista. Não há economia alternativa que conserte o estrago.

Notícias
30 de julho de 2009

CICATRIZES DA HISTÓRIA

Fotografias da Mata Atlântica Durante seus cinco anos de vida, O Eco expôs o trabalho de diversos fotógrafos. Muitos deles, profissionais que se dedicam a registrar o mais ameaçado do biomas brasileiros, a Mata Atlântica. Na foto ao lado, a paisagem de mosaicos de vegetação tão típica do Sudeste do país. Veja mais no ensaio de Adriano Gambarini Ensaio de Luciano Candisani com Retratos da Biodiversidade Outras galerias: Miriam Prochnow - Olho de cidadã Reportagens A Mata Atlântica como você nunca viu – por Gustavo Faleiros Jacutinga: livres para povoar - por Felipe Lobo Floresta à Beira-mar – por Carolina Elia Juréia em análise – por Cristiane Prizibisczki   Explore os corredores da Mata Atlântica. Use os cursores no canto esquerdo

Salada Verde
27 de julho de 2009

Novo diretor de áreas protegidas

Desde o último dia 14, Fábio França Silva Araújo é o novo diretor do Departamento de Áreas Protegidas da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente. João de Deus Medeiros, que antes ocupava o cargo, passou a dirigir o Departamento de Florestas da mesma secretaria. Confira aqui.

Salada Verde
27 de julho de 2009

Ave morta com ratoeira

Que o Brasil trata como lixo sua biodiversidade, todo mundo sabe. Mas a criatividade de certos cidadãos nunca deixa de surpreender. Conforme relatado pelo Instituto Rã-Bugio, saíras-de-sete-cores (Tangara seledon), como a da foto ao lado, e outras aves típicas da Mata Atlântica, têm sido mortas com ratoeiras ao menos em um dos pontos de vendas de frutas da rodovia SC-301, na Serra Dona Francisca, em Pirabeiraba, Joinville (SC). O vendedor comentou, ainda conforme o instituto, que não jogava fora as presas: sua família comia. Tudo para evitar algumas bananas bicadas. Coisa que se resolveria com meios bem menos crueis e covardes.

Salada Verde
23 de julho de 2009

Uatumã, gigante da Amazônia

Um espetáculo de biodiversidade e de paisagens é o mínimo que se pode dizer sobre a Reserva Biológica de Uatumã, no Amazonas. Com 943 mil hectares, é a maior de seu tipo no país. Foi instituída em 1990 como parte das compensações pela construção da Usina de Balbina, pela Eletronorte. Montado com centenas de fotos, o vídeo acima tem pouco mais de quatro minutos e dá uma boa dimensão da riqueza única protegida na reserva federal.

Salada Verde
23 de julho de 2009

Esmolinha

A Cargill propagandeou seus esforços para combater a fome no mundo, destinando cinco milhões e meio de dólares para projetos de caridade em dez países. Ao mesmo tempo em que estimula a conversão da rica biodiversidade de Cerrado e Amazônia em monoculturas que não alimentam as populações impactadas, a empresa diz que seu compromisso não tem precedentes. Os países agraciados não incluem o Brasil. 

Salada Verde
22 de julho de 2009

Acordão com a agricultura familiar

Juntinhos como na foto ao lado, Carlos Minc (Meio Ambiente) e Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) assinaram hoje instruções normativas que, segundo eles, irão desembaralhar pontos dos 22 artigos acertados (veja aqui) com a agricultura familiar, comunidades extrativistas e povos tradicionais. Os acertos incluem restauração e recuperação de áreas de preservação permanentes e de reserva legal, inclusive com plantio de espécies frutíferas (nativas ou exóticas), manejo florestal madeireiro, pagamento por serviços ambientais para recomposição de matas ciliares e de corredores de biodiversidade, desmatamento zero em vegetação primária, agilização do processo para averbação da reserva legal, o que deve ser gratuito e no prazo máximo de duas semanas. Conforme Minc, sete em cada dez pontos do acordo serão solucionados com as instruções assinadas hoje e com uma proposta de resolução  que será encaminhada em 2 de setembro ao Conselho Nacional do Meio Ambiente. Os faltantes dependem de decretos e de projetos de lei. Segundo Cassel, também conforme nota do Ministério do Meio Ambiente, algumas medidas poderão chegar a médios e grandes agricultores, como a da simplificação da averbação da reserva legal e plantio de frutíferas em encostas. Organizações não-governamentais ambientalistas não colocaram muitas pedras no caminho do acordão, afinal, ele é bem melhor do que um alinhamento com setores paleolíticos da agropecuária nacional.

Salada Verde
20 de julho de 2009

Estados e meio ambiente

Depois de 24 anos de atividades, a Abema (Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente) desencantou e realizará seu primeiro congresso dias 12 e 14 de agosto, em São Paulo. Na pauta, temas indispensáveis à gestão ambiental dos estados e Distrito Federal, como mudanças do clima, licenciamento, proteção da biodiversidade e as mais do que polêmicas propostas para alteração do Código Florestal. Mais informações aqui.

Notícias
17 de julho de 2009

O homem (ainda) no centro do mundo

Há alguns dias, participei aqui em São Paulo de um evento sobre seguros para jornalistas, onde foram apresentados os resultados de uma importante pesquisa sobre mudanças climáticas, num tom bastante conservacionista. Mas o que me chamou mesmo a atenção foram algumas conversas cruzadas que ouvi na hora do coffee-break Entre um lanchinho e outro, um senhor muito distinto, figura importante no evento, disse para seu interlocutor, que concordava com movimentos de cabeça, algo como: absurdo fazerem um estardalhaço pra salvar a tal ararinha-azul enquanto tem um monte de criança morrendo no mundo. Meu desgosto foi alimentado ainda outro momento, quando o mesmo senhor, desta vez para toda platéia, soltou: não concordo com os africanos se mobilizando pra salvar o mico-leão-dourado lá deles enquanto tem 500 mil crianças morrendo de fome na África. Símbolo nacional do esforço pela preservação, o mico-leão-dourado é exemplo emblemático do impacto do homem na natureza. A espécie, endêmica da Mata-Atlântica brasileira (esqueceram de avisar ao distinto senhor), chegou a contar com apenas 250 exemplares na década de 1970, vítima do tráfico de animais e da perda de habitat. Atualmente, segundo a Associação Mico-Leão-Dourado, existem cerca de 1.500 exemplares na natureza. Para que ele deixe de ser considerado sob ameaça de extinção, a população em vida livre tem que chegar a pelo menos dois mil indivíduos. O caso da ararinha-azul é ainda mais grave. Espécie natural da Caatinga, sua população foi praticamente dizimada, também pela caça e destruição de habitat. Faz nove anos que um exemplar da espécie foi visto pela última vez na natureza, no sertão da Bahia. Hoje, existem apenas 68 ararinhas oficialmente registradas pelo programa de reprodução em cativeiro do governo brasileiro. Destas, apenas seis exemplares estão no Brasil. Isso mesmo, apenas 68 ararinhas em todo o mundo! E quantos nós somos, mesmo? Às 15h36 (GTM) de hoje (17), o site do governo americano U.S. Census Bureau contabilizava 6,771 bilhões de habitantes. Não estou aqui defendendo a morte de criancinhas inocentes – no Brasil ou na África - em favor da salvação de micos-leões ou ararinhas-azuis. Mas sim a necessidade de uma visão global da preservação da natureza, independentemente da espécie. O homem depende, sim, da sobrevivência de ararinhas e micos, por serem eles importantes atores na intrincada rede de manutenção da biodiversidade. Me pergunto quantas espécies ainda vão desaparecer para sempre, até que o antropocentrismo (declarado ou não) e a visão fragmentada da realidade deixem de dar o tom em debates sobre preservação.  

Salada Verde
16 de julho de 2009

Funai mira no Parque de Itapuã

Criado em 1973 e hoje às moscas, o Parque Estadual de Itapuã, a quase sessenta quilômetros de Porto Alegre, está na mira da Funai (Fundação Nacional do Índio). A autarquia criou um "grupo de trabalho" para avaliar a possível demarcação de parte da área protegida para indígenas Guarani-Mbyá que hoje vivem na Aldeia Pindó Mirim, com apenas 25 hectares, em meio a incômodos eucaliptais. Itapuã deveria proteger importantes amostras de como foi a região da capital gaúcha antes da colonização. Em reportagem do Diário de Viamão de 10 de julho, o Conselho Viamonense de Meio Ambiente (Covima) "enfatiza que os órgãos públicos, em conjunto com a sociedade civil, devem envidar esforços no sentido de assegurar aos guaranis as condições necessárias a uma vida digna sem, contudo, colocar em risco a função ecológica da Unidade de Conservação". Uma boa saída. Saiba mais: Conservação e os pleitos quilombolas Populações tradicionais e a biodiversidade O incrível destino do parque Nonoai Pró-Guaíba, in memoriam Índios no pedaço

Salada Verde
16 de julho de 2009

Semana das contagens oficiais

O Instituto Chico Mendes disparou esta semana dois censos. Uma nova contagem das populações da arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) está ocorrendo na região de Jeremoado, no semiárido baiano. Os levantamentos acontecem desde 1979 e a situação aparentemente vem melhorando -  antes eram 60 exemplares, hoje já se avistam cerca de 900, no ano passado. Se o novo censo for ainda mais positivo, a ave pode deixar a lista de extinção ainda em 2009. O Brasil é o país com maior número de pássaros ameaçados de extinção no mundo. Outra contagem incide sobre os moradores da Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre. Oitenta pessoas atuam na empreitada cujos resultados, segundo o governo, serão usados na "elaboração de políticas públicas que beneficiem as famílias da reserva, evitando-se a especulação fundiária e a atividade pecuária em larga escala, que afeta a biodiversidade".

Reportagens
15 de julho de 2009

Conservação e os pleitos quilombolas

Estudo diz que direitos especiais a populações tradicionais em unidades de conservação de proteção integral põem biodiversidade em risco e questiona conceitos que estimulam esta política.