Fotografia

Na Argentina, um deserto incomparável

        A puna argentina não tem o glamour de San Pedro de Atacama, mas guarda belezas indescritíveis. Nas fotos, uma paisagem de céu azul, salares e uma terra repleta de vulcões.

Margi Moss ·
16 de julho de 2009 · 17 anos atrás
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No ano passado, durante o Adventure Travel World Summit em São Paulo, conhecemos o italiano Fabrizio Ghilardi, apaixonado por um canto remoto e pouco conhecido da Argentina ocidental: La puna.

De tudo o que conversamos, uma frase nos convenceu de que, sem falta, o lugar seria nosso destino no final do ano.  “É muito mais bonito e interessante que San Pedro de Atacama (Chile), com outra grande vantagem: não é um circo. Pouquíssimas pessoas se aventuram a Antofagasta de La Sierra.”

Foi a isca que nos pegou. Conhecemos San Pedro há 12 anos. Ao voltar, alguns anos mais tarde, ficamos assustados com a transformação da aldeia andina sem frescuras em um resort congestionado. Um pouco como Búzios: outrora uma charmosa aldeia de pescadores, hoje uma bagunça.

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Fabrizio, casado com uma arquiteta argentina, mora em Salta, ao norte do país. Foi ali que começamos nossa expedição pela puna, com um casal de amigos e sua filha, também de Brasília, em dois 4×4 alugados. Estávamos devidamente “armados” com todas as dicas e recomendações que Fabrizio nos deu, mas seu entusiasmo não conseguiu nos preparar para a beleza estonteante daquele altiplano solitário.

Um imenso platô a aproximadamente 4.000 metros de altitude, pipocado por mais de 200 vulcões. Uma paleta de artista, com a mais exótica combinação de cores. Um céu infinito, azul. Pequenas comunidades – às vezes, apenas meia dúzia de casas – que conseguem sobreviver com tão pouco.

E as cores! Quanta variedade de cores em um deserto! Que luz, que imensidade de céu. Paramos frequentemente para descer dos carros, respirar o ar puro das montanhas (mesmo com pouco oxigênio) e nos embevecer com o visual. Eu curti especialmente o prazer de me sentir pequena e insignificante dentro das paisagens infinitas, incomensuráveis. Privilegiada de estar em um lugar inóspito e indomável, a vida selvagem cada vez mais rara, onde o homem ainda teve pouco impacto.

*Margi Moss é aventureira e fotógrafa. Ao lado de Gérard Moss,participa do projeto Brasil das Águas que retratou do ar água dos principais rios brasileiros, e mais recentemente, do transporte de umidade da Amazônia até o resto do país pelos rios voadores. Veja mais no Brasil das Águas , Rios Voadores e Mundo Moss

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