Notícias

Boa e má notícia sobre harpias na Bahia

Monitoramento de aves reintroduzidas revela que uma harpia já se reproduz. Outra, no entanto, foi encontrada morta com bala no corpo

Vandré Fonseca ·
10 de junho de 2010 · 16 anos atrás
Foto de 2008 mostra a reintrodução de harpia no parque nacional na Bahia. Foto:João Marcos Rosa.

Nos últimos quatro meses, equipes que monitoram a harpia Katumbayá (Mãe da Mata em pataxó) perceberam que ela voava distancias menores, limitadas a um raio de dois quilômetros dentro do Parque Nacional do Pau Brasil, no sul da Bahia. Antes, usava toda a extensão do parque e ia até além dos limites dele. Era o indício de que o gavião-real fêmea reintroduzido na natureza havia encontrado um par e estava construindo um ninho.

A notícia foi confirmada durante uma expedição que contou com a presença da coordenadora do projeto Harpia na Mata Atlântica, a bióloga Tânia Sanaiotti. Depois de uma semana dentro da mata, a equipe viu e fotografou, em uma forquilha no alto de um embiruçu (Bombax humile), das das mais altas da região, o ninho do casal de harpias em construção.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



“É a primeira vez que se tem notícia de uma harpia reintroduzida se reproduzindo”, afirma bióloga do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). “Para nós, que tenta evitar que animais feridos sejam levados aos zoológicos, isto mostra que devolvê-los para a natureza é um bom caminho”, completa.

A construção do ninho não significa que a harpia vá colocar ovos. Mas a expectativa é grande. De acordo com Tânia Sanaiotti, a fêmea pode botar um ovo entre os meses de junho e julho, cinco meses após o início da construção do ninho. “O casal passa um dia na árvore do ninho, vocalizando muito. Depois, passam vários dias voando pelo entorno, mas ainda não foi registrada cópula”, relatou a pesquisadora.

Katagumbayá foi solta no Parque Nacional do Pau Brasil em maio de 2008, com equipamento especial para ser monitorada via satélite. A equipe agora faz um monitoramento especial para acompanhar a construção do ninho.

Tristeza

O grupo localizou também a carcaça da harpia Pajahyeru (Pássaro Livre, em pataxó), que havia sido devolvida à natureza em agosto do ano passado e também era monitorada via satélite. A causa da morte ainda pode ser confirmada, mas um exame nos restos com Raio X sugere a presença de um projetil. A bala não foi localizada nos vestígios. O processo de reabilitação e soltura de Pahahyery levou mais de um ano.

O Projeto Harpia na Mata Atlântica é patrocinado pela Veracel Celulose S.A. e desenvolvido de forma integrada pelos pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (Inpa), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina (Abfpar), SOS Falconiformes, Crax e RPPN Estação Veracel.

 

Saiba mais

Reportagem – Harpias baianas 

Nota da Veracel 

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Colunas
26 de março de 2026

A construção da identidade ambiental da Juventude Amazônida

Consolidar uma identidade ambiental entre os jovens da Amazônia Legal torna-se, portanto, uma tarefa que ultrapassa o campo simbólico e alcança a esfera da governança territorial

Reportagens
26 de março de 2026

Avanço de monoculturas pressiona comunidades na Chapada do Araripe

Disputas por terra e recursos hídricos estão no centro das ocorrências, que incluem ameaças de morte; ((o))eco conversou com exclusividade com lideranças ameaçadas

Análises
26 de março de 2026

Congresso avança para limitar embargo remoto e coloca em risco política de combate ao desmatamento

O que a proposta faz é dificultar a imposição do embargo, reduzindo a capacidade de atuação imediata do Estado

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.