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Considerado pai da biodiversidade, Thomas Lovejoy morre vítima de câncer

Biólogo norte-americano, conhecido pelo trabalho de mais de 50 anos na Amazônia, faleceu neste sábado (25/12), em Washington (EUA), onde morava com a família.

Cristiane Prizibisczki ·
25 de dezembro de 2021 · 4 anos atrás

Morreu neste sábado (25/12), em Washington (EUA), o biólogo, ecologista e ambientalista norte-americano Thomas E. Lovejoy, vítima de câncer no pâncreas. Considerado “pai da biodiversidade”, Lovejoy estudava a Amazônia havia mais de 55 anos e era considerado um dos biólogos conservacionistas mais importantes da atualidade.

Sua capacidade de transitar com a mesma habilidade entre a selva, produzindo ciência, e as salas de governos, discutindo políticas ambientais, valeu a ele uma carreira marcada por contribuições fundamentais à compreensão e defesa da biodiversidade. 

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Formado em biologia pela Universidade de Yale, Lovejoy foi à Amazônia pela primeira vez em 1965 para fazer o doutorado. Não saiu mais. Ao lado de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), ele ajudou a criar e, desde os anos 1970, liderava um experimento de grande escala que investiga o funcionamento de fragmentos florestais e os efeitos do desmatamento sobre a biodiversidade de espécies de animais e plantas. O trabalho, desde seu início, norteou o planejamento e criação de áreas de preservação na floresta tropical brasileira.

“Sempre fui fascinado por diversidade biológica e imaginava ter uma vida cheia de aventuras científicas. A Amazônia era esse mundo selvagem inacreditável e tropical. Era como se eu tivesse morrido e chegado ao Paraíso”, disse Lovejoy, em 2015, em entrevista concedida à Agência Fapesp.

Esse seu fascínio pela floresta tropical o levou, além da intensa produção científica, a ocupar muitas posições de destaque, nacional e internacionalmente. Thomas Lovejoy foi conselheiro para assuntos ambientais do Banco Mundial, do Instituto Smithsonian e dos governos Reagan, Bush e Clinton. Foi também vice-presidente executivo do Fundo para a Natureza da WWF e, no Brasil, foi interlocutor de vários governos para a formulação de políticas públicas. 

Foi o responsável por cunhar a expressão “diversidade biológica”, hoje de uso corriqueiro, e era considerado um dos principais líderes do movimento ambientalista. Dentre seus feitos, Lovejoy elucidou o conceito de “Tamanho Mínimo Crítico” para os ecossistemas e previu possíveis extinções em massa decorrentes da destruição ambiental.

Ao longo de sua carreira, Lovejoy preparou muitos mestres e doutores e foi figura fundamental nos apelos à comunidade internacional sobre os problemas ambientais na Amazônia.

Tem grande bibliografia publicada e recebeu diversos prêmios durante sua longa carreira como pesquisador. A espécie Polycyrtus lovejoyi foi batizada em sua homenagem.

Thomas Lovejoy descobriu o câncer no pâncreas, já em estágio avançado, no início de 2021. Ao longo do ano passou por intenso tratamento, que resultou sem sucesso. No último dia 21, o biólogo foi transferido para sua casa, assim como era seu desejo, onde faleceu, ao lado de sua família. 

  • Cristiane Prizibisczki

    Jornalista com quase 20 anos de experiência na cobertura de temas como conservação, biodiversidade, política ambiental e mudanças climáticas. Já escreveu para UOL, Editora Abril, Editora Globo e Ecosystem Marketplace e desde 2006 colabora com ((o))eco. Adora ser a voz dos bichos e das plantas.

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Comentários 3

  1. Dianne Schaldach diz:

    Triste realidade…
    Estradas sendo abertas com outros objetivos, destruindo áreas de parques, de terras indígenas, de comunidades ribeirinhas… resumindo, destruindo vida! Como podem ser tão cegos pela ganância e não ver que destroem a si mesmos! Afinal, somos todos UM!


  2. celso diz:

    Depois de T.Lovejoy, no dia seguinte o Mundo perde Edward O. Wilson. Que tristeza dupla.

    Demorará muito para que suas inteligências e sensibilidades sejam repostas. Que época dura vivemos.


    1. Marco diz:

      Duas grandes perdas para a Ciencia! Mentes brilhantes.