O prefeito Eduardo Paes (PSD) vive seus últimos dias de prefeito do Rio de Janeiro, marcada para sexta-feira (20), quando sai para poder dar início à disputa do governo estadual fluminense. Antes da sua despedida da cadeira mais alta do poder executivo carioca, uma manifestação liderada pela Associação de Moradores e Amigos da Freguesia de Jacarepaguá (AMAF) pressiona para que o ainda prefeito assine o decreto de criação do Corredor Azul. A proposta cria quatro unidades de conservação (UCs) para conectar os maciços da Pedra Branca e da Tijuca, onde estão os parques estadual e nacional, respectivamente, de mesmo nome.
“O processo já passou por todos os ritos necessários para criação de unidade de conservação. Agora a última etapa é a assinatura do prefeito”, defende a diretora da AMAF, Juliana Fernandes. O plano da Associação é aumentar a pressão para que Eduardo Paes assine os decretos nos próximos dois dias e conclua o processo iniciado durante sua gestão municipal.
O ato realizado nesta quarta-feira (18) de manhã, no bairro de Jacarepaguá, zona oeste do Rio, reuniu moradores da cidade e chamou atenção de quem passava nas ruas sobre a importância da criação do complexo de UCs.
Há cerca de cinco anos, a AMAF lidera os esforços pela criação de uma área protegida em Jacarepaguá, no limite oeste do maciço da Tijuca, não contemplado pelo parque nacional. O pleito foi acolhido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC) e anexado ao projeto intitulado Corredor Azul, que visa conectar os maciços da Pedra Branca e da Tijuca, passando pelo complexo lagunar de Jacarepaguá.
Em 2025 foi divulgado o estudo técnico e em agosto foi realizada a consulta pública que apresentou a proposta das quatro novas UCs que compõem o corredor: um Refúgio de Vida Silvestre na vertente oeste do maciço da Tijuca, área drenante para o Sistema Lagunar de Jacarepaguá; um Monumento Natural na Pedra da Panela; um Parque Natural Municipal nos brejos e mangues no entorno da Lagoa do Camorim; e uma Área de Proteção Ambiental que abrangeria diretamente as lagoas da Tijuca, Camorim e de Jacarepaguá.
“Essas unidades de conservação têm um potencial de mitigação de inundações e desabamentos enorme porque você protege áreas de inclinação e bastante vegetação. No caso do Refúgio em Jacarepaguá você protege ainda a continuação da Floresta da Tijuca, então protege os recursos hídricos e a biodiversidade que ela guarda”, destaca a diretora da AMAF, Juliana Fernandes.

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