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Nova espécie de árvore é encontrada na Mata Atlântica mineira

O achado científico é de pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Árvore é da família das mirtáceas e pode atingir até seis metros de altura

Vinicius Nunes ·
19 de agosto de 2025

Uma nova espécie de árvore foi descoberta em uma área de Mata Atlântica na região do Vale do Rio Doce, leste de Minas Gerais. A planta, da família das mirtáceas, foi localizada por pesquisadores do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Viçosa (UFV). As árvores da espécie recém-descrita, batizada de Myrcia magnipunctata, variam entre três e seis metros de altura, com folhas longas e caule fino.

O resultado foi publicado em julho deste ano na Revista Científica Phytotaxa, um dos principais periódicos de taxonomia botânica.

A árvore pertence ao gênero Myrcia, que engloba mais de 400 espécies. Destas, aproximadamente cem ocorrem no estado de Minas Gerais. Outras espécies da mesma família botânica (Myrtaceae) incluem a jabuticabeira, goiabeira e pitangueira. 

A descoberta da espécie surgiu de maneira inesperada. Otávio Verly, pesquisador da UFV, encontrou a árvore enquanto realizava um inventário florestal para sua tese de doutorado. A coleta ocorreu em uma área de preservação da empresa Cenibra, onde é feito um mapeamento a cada cinco anos para acompanhar os processos demográficos dos fragmentos florestais.

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Quando comparada com as espécies já catalogadas, os pesquisadores do Grupo de Estudo em Economia e  Manejo Florestal (GEEA) enxergaram a possibilidade desta se tratar de uma planta desconhecida. Após nova coleta de campo e análise de material seco foi possível identificar que de fato a árvore se tratava de uma espécie ainda não registrada. A iniciativa contou também com o apoio do botânico e professor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Marcos Sobral, especialista em Mirtáceas. 

Durante a pesquisa, foram encontrados apenas onze exemplares da nova espécie. Os indivíduos se destacam devido a uma camada espessa sobre o caule e a parte de baixo das folhas, similar a um pelo, o que lhes garante um aspecto marrom-avermelhado. Pontuações translúcidas vistas na superfície das folhas serviram de inspiração para o nome escolhido – Myrcia magnipunctata, do latim “com grandes pontuações”.

  • Vinicius Nunes

    Cientista Social pela FGV/CPDOC e estudante de Jornalismo na ESPM-Rio. Entusiasta da pauta ambiental, política e esportes.

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