Reportagens

Queima evita emissões!?

Experiência americana mostra que queimas controladas reduziram emissões em até 60%  em áreas que sofriam com grandes incêndios .

Redação ((o))eco ·
15 de abril de 2010 · 16 anos atrás

Parece mesmo um contrasenso, mas alguns cientistas americanos andaram sugerindo que queimadas controladas, aquelas que são mantidas em níveis baixos e não saem lambendo tudo quanto é mata de uma vez, podem ajudar a reduzir emissões dos incêndios florestais. Uma reportagem do jornalista Douglas Fischer, um dos vencedores do Earth Journalism Awards de 2009, mostra qual é a lógica dessa idéia.

Ela é baseada num estudo publicado na revista Environmental Science and Technology feita pelo Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos Estados Unidos e Universidade do Arizona. Os pesquisadores observaram florestas secas do oeste americano e concluiram que as emissões provienientes de queimadas foram reduzidas a um quarto naquela região. Em algumas florestas, a diminuição das emissões chegou a 60%.

“Se nós reintroduzirmos as queimadas nos nossos ecossistemas, nós podemos proteger árvores maiores e reduzir significativamente a quantidade de carbono liberada na atmosfera nos incêndios de grande porte”, argumenta a pesquisadora Christine Wiedinmyer. Ela acrescenta que a queima de áreas com pouca biomassa, como matas de sub-bosque, protege a vegetação mais densa na medida em que, se o fogo entra em épocas mais quentes e secas, a matéria orgânica ali contida não permitirá que ele “pule” para as áreas com maiores estoques de carbono.

Os autores do estudo lembram, no entanto, que este é um primeiro passo na avaliação de queimas controladas como maneira de aumentar a estabilidade de contenção de carbono de algumas florestas. Variáveis como o intervalo em que se ateia o fogo e eficiência na combustão podem comprometer os resultados, dizem eles.

Os números são na verdade a comprovação de uma estratégia vista ainda como polêmica pelos gestores ambientais brasileiros. Por aqui, conforme entrevista com o ex-coordenador do Prevfogo no Mato Grosso, Rodrigo Falleiro, o manejo do fogo dentro de unidades de conservação, feito com o propósito de reduzir a possibilidade de haver grandes e incontroláveis incêndios em áreas propícias, não é uma questão muito aceita pelas autoridades ambientais. Obviamente a promoção de queimadas controladas não convém em qualquer bioma. É uma estratégia que pode ser muito bem vinda em áreas de Cerrado, por exemplo.

Saiba mais sobre este assunto na segunda parte da série “A trajetória da fumaça”.

Leia também

Análises
27 de fevereiro de 2026

Borboletas e formigas: um ensaio sobre jardins e ciclos

A vida em comunidade envolve relações de cuidado, mas também conflitos, riscos e ambiguidades. A cooperação é fundamental, mas não significa harmonia perfeita. E, essa lógica não é exclusiva para o mundo dos insetos

Análises
27 de fevereiro de 2026

A esperada queda da SELIC e o maior ativo do século XXI

Nos territórios, onde as veias seguem abertas e pulsam o sangue e a alma das cidades e de seus habitantes, milhares de pessoas sofrem os efeitos das decisões sobre investimentos

Salada Verde
27 de fevereiro de 2026

Funbio lança chamada para expansão de unidades de conservação municipais

Entidade convida instituições a apresentarem projetos para Unidades de Conservação (UCs) nos biomas Caatinga, Pampa e Pantanal; inscrições vão até 30 de março

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.