Reportagens

Polo perde área de gelo do tamanho da Índia

Aquecimento do ar e do mar e mudanças nos ventos estão por trás de redução recorde de mar congelado em novembro tanto no Ártico quanto na Antártida; degelo no sul surpreende cientistas

Observatório do Clima ·
7 de dezembro de 2016 · 9 anos atrás
Gelo marinho se rompe na Antártida. Foto: Ted Scambos/NSIDC
Gelo marinho se rompe na Antártida. Foto: Ted Scambos/NSIDC

Porções de mar congelado que somadas têm o tamanho da Índia (3,8 milhões de quilômetros quadrados) desapareceram do Ártico e da Antártida no mês de novembro, graças às altas temperaturas do ar e do mar e a mudanças nos ventos.

Segundo o NSIDC (Centro Nacional de Dados de Gelo e Neve) dos EUA, o mês bateu o recorde de redução de gelo em ambos os polos.

No Ártico, a área de gelo marinho medida por satélites em novembro foi de 9,08 milhões de quilômetros quadrados, 1,95 milhão de quilômetros quadrados abaixo da média de 1981 a 2010.

O mês geralmente é de crescimento na área de gelo, já que a partir de outubro as temperaturas despencam e o sol desaparece acima do Círculo Polar. No entanto, o que se viu em novembro, além de um recongelamento menor, foi uma diminuição da área congelada, algo que só aconteceu uma vez antes (em 2013) em todo o período desde que as medições por satélite começaram, na década de 1980.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



De acordo com os cientistas do NSIDC, este é o sétimo mês neste ano a bater o recorde negativo de gelo marinho no Ártico. “Parece que foi um golpe triplo”, disse Julienne Stroeve, pesquisadora do NSIDC. Segundo ela, a culpa pode ser atribuída a um oceano mais quente, a ventos que vieram do sul e a temperaturas do ar mais altas em várias porções do Ártico. Na região a nordeste da Groenlândia, por exemplo, as temperaturas bateram 10oC acima da média para o período.

Na Antártida, o mar congelado (que está derretendo com a proximidade do verão) diminuiu mais rápido e mais cedo no mês. A extensão média foi de 14,54 milhões de quilômetros quadrados, 1,81 milhão de quilômetros quadrados abaixo da média de 1981 a 2010.

Diferentemente do Ártico, na Antártida existe pouco gelo marinho permanente, e não havia até agora uma tendência de redução – ao contrário, o gelo marinho na maior parte do continente vinha aumentando no inverno, algo que os cientistas atribuem a mudanças nos ventos causadas pelo buraco na camada de ozônio.

Neste mês de novembro, porém, o Oceano Austral saiu da casinha. Temperaturas do ar de 2oC a 4oC maiores que a média e mudanças ne circulação atmosférica estão provavelmente por trás da alteração.

“O Ártico geralmente é o que atrai mais nosso interesse, mas neste mês [novembro] a Antártida inverteu o script e é o gelo do sul que está surpreendendo”, afirmou em comunicado Walt Meier, pesquisador da Nasa e do NSIDC.

 

Republicado do Observatório do Clima através de parceria de conteúdo. logo-observatorio-clima

 

Leia Também

Degelo antártico pode dobrar subida do mar

Degelo não desliga corrente do Golfo – ainda

Fatores ambientais causam 1/4 das mortes

 

 

  • Observatório do Clima

    O Observatório do Clima é uma coalizão de organizações da sociedade civil brasileira criada para discutir mudanças climáticas

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Reportagens
15 de março de 2016

Fatores ambientais causam 1/4 das mortes

Relatório da OMS aponta que, em 2012, 23% dos óbitos no mundo estão relacionados ao meio ambiente. Mudanças climáticas são associadas indiretamente a boa parte das doenças.

Reportagens
21 de junho de 2016

Degelo não desliga corrente do Golfo – ainda

Derretimento da Groenlândia não é capaz de induzir o desligamento da corrente oceânica que leva calor ao hemisfério Norte, dizem cientistas; mas é questão de tempo até que isso ocorra

Reportagens
3 de abril de 2016

Degelo antártico pode dobrar subida do mar

Colapso de partes do manto de gelo do continente austral pode, sozinho, elevar o nível global dos oceanos em 1 metro até 2100 caso emissões não sejam cortadas.

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.