![]() |
Junichi Sato e Toru Suzuki, ativistas do Greenpeace, foram condenados hoje a um ano de prisão em Aomori – Japão-, por denunciarem um escândalo de corrupção dentro do programa baleeiro mantido pelo governo japonês. Ambos estão impedidos, pelo governo, de se envolver em qualquer atividade do Greenpeace durante três anos.
Sato e Suzuki, acusados de roubo e invasão de propriedade, desenvolveram uma investigação de interesse público que comprovou o desvio de caixas de carne de baleia para uso privado da tripulação dos navios baleeiros e não para pesquisas científicas, como alegava o governo japonês. Portanto, os ativistas comprovaram claramente a violação das leis internacionais que proíbem a caça de baleias. O Greenpeace considera desproporcional e injusta a condenação aos ativistas que demonstraram que a atividade baleeira no Japão não atende nem a verdadeiros interesses científicos nem à necessidade alimentar de sua população, e sim aos interesses políticos da agência de pesca japonesa, a JFA, que mantém as atividades mesmo sem um mercado interessado na carne, manobrando subsídios que ultrapassam milhões de dólares. O Japão, apesar de condenado pela comunidade global da Comissão Baleeira Internacional, nega-se a parar com a caça de baleias na Antártida.
“Nossa denúncia tinha como alvo a verdade sobre o programa baleeiro japonês e fomos condenados. Enquanto isso, quem promove o mal uso do dinheiro público anda livremente”, afirmou Suzuki em nota distribuída pelo Greenpeace. “Ao mesmo tempo que admite práticas questionáveis da indústria baleeira, a justiça japonesa não reconhece o direito de expor tais ilegalidades à opinião pública”, declarou Junichi Sato.
A defesa dos ativistas se deu com base na Convenção Internacional de Direitos Civis e Políticos, tratando o caso como um crime doméstico, porém o julgamento não tomou isso em consideração e o caso continua visto como uma violação dos direitos humanos com motivações políticas pela opinião pública internacional.
O caso gerou atenção internacional. Durante o julgamento, bandeiras foram levantadas em embaixadas japonesas ao redor do mundo em apoio aos ativistas. Personalidades, como o Prêmio Nobel Arcebispo Desmond Tutu, grupos internacionais de direitos humanos, juristas, e Navi Pillay, Alta Comissionária em Direitos Humanos das Nações Unidas, manifestaram suas preocupações sobre o caso e, particularmente, em relação à liberdade de expressão.
O Greenpeace realiza hoje (8/9), às15 horas, uma manifestação contra a criminalização do ativismo em São Paulo. (Laura Alves)
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Os planos climáticos do Brasil e França
A crise climática testa menos a eloquência dos governos e mais sua aptidão para reorganizar materialmente a economia, o território e o poder público →
COP15 – Países se reúnem para discutir desafios de cuidar de quem não tem endereço fixo
Confira entrevista exclusiva com presidente da COP15, João Paulo Capobianco, sobre Conferência das Espécies Migratórias, que acontece no Brasil esta semana →
Governo cria nova área protegida no Cerrado de Minas Gerais
Com 41 mil hectares, Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas visa proteger nascentes e comunidades tradicionais da região →

