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O Greenpeace encontrou uma madeireira funcionando sem autorização dentro de um assentamento do Incra, a cerca de 140 quilômetros do município de Santarém (PA). A investigação durou dois dias (30/03 e 31/03). A ONG identificou tráfego intenso de caminhões repletos de toras, além de pátios de madeira, uma serraria, toras cortadas e desmatamento recente na área. Fotografias dos flagrantes do crime ambiental foram feitas e anexadas à um relatório entregue ao Ibama, com cópia para o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério Público Federal pedindo a investigação do caso.
A área, conhecida como Corta Corda, é um assentamento do Incra localizado na região do rio Curuá-Una. Segundo o Greenpeace, os assentados já denunciaram várias vezes ao Incra a ação ilegal no local, mas nada foi feito para pará-lo. Segundo o Greenpeace, a solução proposta pelo Incra seria, em vez de aumentar a fiscalização, destinar quase toda a área coberta com florestas do assentamento – quase 41 mil hectares – aos grileiros que exploram madeira na região. Pela proposta do Incra, o assentamento diminuiriam de 52 mil para 11 mil hectares.
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Ulaí Nogueira, chefe da Divisão de Obtenção de Terras do Incra/Oeste do Pará, nega a informação. Ele disse que o Incra não quer reduzir a área do PA Corta Corda, conforme noticiado pelo Greenpeace.
Em nota divulgado pela assessoria, Ulaí Nogueira informa que o Incra proporá uma ação conjunta com o Ibama para apurar as denúncias e combater futuras ações de desmatamento ilegal em Corta Corda. A parceira com o Ibama, segundo ele, é importante porque há atribuições que são específicas do órgão ambiental, como a aplicação de multas e a apreensão de toras de madeiras, que não cabem ao Incra.
Não é a primeira vez que extração ilegal de madeira acontece na região. Há cinco anos o Greenpeace já a havia exposto em um relatório intitulado Assentamentos de papel, madeira de lei a situação dos assentamentos do Pará. “É um absurdo que as motosserras ainda operem sem controle na Amazônia. O Ibama deveria fiscalizar e punir, mas está desaparelhado para cumprir sua missão. E o Incra, em vez de defender os assentados, parece jogar o jogo dos madeireiros”, diz Paulo Adario, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace.
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