Uma planta rara, de pequenas flores violetas e considerada desaparecida há mais de um século no estado do Rio de Janeiro, voltou a ser registrada em uma área de Mata Atlântica na Região Serrana fluminense. A redescoberta ocorreu ao acaso, enquanto a guarda-parque do Inea-RJ e pesquisadora Vanessa Cabral percorria uma das trilhas da Reserva Biológica Estadual de Araras, em Petrópolis.
“A descoberta demonstra o papel estratégico das unidades de conservação na geração de conhecimento científico sobre a biodiversidade da Mata Atlântica”, destaca ela, que é pesquisadora vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade em Unidades de Conservação, do Instituto Jardim Botânico (JBRJ).
A planta em questão atende pelo nome científico de Justicia dasyclados, sem um equivalente popular, possivelmente pela sua raridade. Com uma flor violeta em contraste com um tom mais claro e esbranquiçado, a espécie é um tipo de erva pertencente à diversa família das Acanthaceae, que vão desde herbáceas até arbustos e trepadeiras.

Endêmica do Brasil, a distribuição da planta se estende pelo Rio e Minas Gerais, com ocorrências conhecidas mais recentes neste último estado, no Parque Estadual de Ibitipoca, de acordo com dados do Herbário Virtual, administrado pelo JBRJ.
O último e até então único registro silvestre conhecido no estado do Rio de Janeiro consta numa prancha datada de 1880. A espécie floresce apenas uma vez por ano, o que dificulta sua identificação.
O reencontro aconteceu em fevereiro, durante o monitoramento de uma trilha localizada numa área de floresta densa, a mais de 1.200 metros de altitude. Na expedição, foram coletados três indivíduos da planta, enviados ao Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde a identificação foi confirmada.

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