Salada Verde

Mistério da Tasmânia resolvido

Misterioso câncer que ameaça demônios da Tasmânia tem origem em células do sistema nervoso. Doença pode extinguir espécie nos próximos 25 a 35 anos.

Salada Verde ·
4 de janeiro de 2010 · 16 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Este demônio da Tasmânia, fotografado
no santuário Healesville, é parte do
programa Save the Devil de proteção aos
que correm risco de extinção devido ao tumor.
Foto: Cameron Wells

Um equipe internacional de cientistas descobriu que os tumores faciais mortais que vem reduzindo a população australiana de demônios da Tasmânia provavelmente tenha origem nas células de Schwann, que envolvem e protegem fibras nervosas.

A descoberta foi obtida a partir da análise genética das células cancerígenas. Baseados nos dados, os cientistas identificaram marcas genéticas para diagnosticar com precisão o câncer facial, chamado de DFTD, sigla para o nome em inglês da doença (devil facial tumor disease).

Os resultados, que abrem novos caminhos para pesquisas, tratamento e vacina, estão publicados na edição de 1o. de janeiro da revista Science. A principal autora do texto é Elizabeth Murchison, PhD da Australian National University. Ela trabalhou sob orientação do também PhD e professor do Cold Spring Harbor Laboratory da CSHL e pesquisador da HHMI PhD, Grege Hannon.

O tumor é um tipo único de câncer, transmitido de maneira rara, através de pequenas mordidas entre os animais ou de outro tipo de contato físico. É um dos dois únicos tipos de câncer que podem ser transmitidos através da transferência de células cancerígenas vivas entre indivíduos (o outro câncer é encontrado em cães). O tumor dos demônios da Tasmânia é encontrado com mais freqüência na face ou na boca, mas pode atingir também órgãos internos. Sem testes para diagnosticar, tratamentos ou vacinas disponíveis, cientistas prevêem que a doença pode extinguir os demônios da Tasmânia daqui a 25 ou 35 anos.

A análise genética confirmou que o tumor transmitido de animal para animal são geneticamente idênticos, cópias clonadas, cada um originado em uma mesma linha de células. A equipe determinou a identidade das células originais usando uma tecnologia avançada de seqüenciamento para descobrir o transcritoma do tumor – a seqüencia completa de genes que ativam as células cancerígenas. Ao comparar estes dados com de outras membranas, a equipe descobriu as assinaturas genéticas do tumor estão melhor marcadas nas células de Schwann. A maneira como o sistema nervoso espalha o câncer ainda é um mistério.

“Agora que nós tivemos mais sorte na identificação genética do tumor, podemos ir atrás dos genes e processos envolvidos na formação do tumor, afirma Hannon A equipe também compilou um catálogo de genes da espécie que podem influenciar a patologia e a transmissão do tumor, informação que pode ser muito útil para desenvolver vacinas ou outras estratégias terapêuticas.

Para mais informações sobre o programa de preservação do demônio da Tasmânia, acesse: www.tassiedevil.com.au.

Leia também

Colunas
11 de fevereiro de 2026

A Fotografia em tempos de IA: transformação ou extinção?

Pedir para a Inteligência Artificial criar uma imagem através de comandos pode, à princípio, ser inofensivo, mas o que acontecerá a longo prazo?

Salada Verde
11 de fevereiro de 2026

STF dá prazo de 24 meses para Congresso regulamentar mineração em terras indígenas

Decisão reconhece omissão legislativa, fixa prazo de dois anos para regulamentação e estabelece parâmetros provisórios para pesquisa e lavra mineral enquanto a lei não é aprovada

Reportagens
11 de fevereiro de 2026

Milhares de projetos minerários ameaçam água e biodiversidade na maior cordilheira do Brasil

Extração crescente na Serra do Espinhaço atende inclusive à demanda por insumos críticos para a transição energética

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.