Salada Verde

Mistério da Tasmânia resolvido

Misterioso câncer que ameaça demônios da Tasmânia tem origem em células do sistema nervoso. Doença pode extinguir espécie nos próximos 25 a 35 anos.

Salada Verde ·
4 de janeiro de 2010 · 17 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Este demônio da Tasmânia, fotografado
no santuário Healesville, é parte do
programa Save the Devil de proteção aos
que correm risco de extinção devido ao tumor.
Foto: Cameron Wells

Um equipe internacional de cientistas descobriu que os tumores faciais mortais que vem reduzindo a população australiana de demônios da Tasmânia provavelmente tenha origem nas células de Schwann, que envolvem e protegem fibras nervosas.

A descoberta foi obtida a partir da análise genética das células cancerígenas. Baseados nos dados, os cientistas identificaram marcas genéticas para diagnosticar com precisão o câncer facial, chamado de DFTD, sigla para o nome em inglês da doença (devil facial tumor disease).

Os resultados, que abrem novos caminhos para pesquisas, tratamento e vacina, estão publicados na edição de 1o. de janeiro da revista Science. A principal autora do texto é Elizabeth Murchison, PhD da Australian National University. Ela trabalhou sob orientação do também PhD e professor do Cold Spring Harbor Laboratory da CSHL e pesquisador da HHMI PhD, Grege Hannon.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



O tumor é um tipo único de câncer, transmitido de maneira rara, através de pequenas mordidas entre os animais ou de outro tipo de contato físico. É um dos dois únicos tipos de câncer que podem ser transmitidos através da transferência de células cancerígenas vivas entre indivíduos (o outro câncer é encontrado em cães). O tumor dos demônios da Tasmânia é encontrado com mais freqüência na face ou na boca, mas pode atingir também órgãos internos. Sem testes para diagnosticar, tratamentos ou vacinas disponíveis, cientistas prevêem que a doença pode extinguir os demônios da Tasmânia daqui a 25 ou 35 anos.

A análise genética confirmou que o tumor transmitido de animal para animal são geneticamente idênticos, cópias clonadas, cada um originado em uma mesma linha de células. A equipe determinou a identidade das células originais usando uma tecnologia avançada de seqüenciamento para descobrir o transcritoma do tumor – a seqüencia completa de genes que ativam as células cancerígenas. Ao comparar estes dados com de outras membranas, a equipe descobriu as assinaturas genéticas do tumor estão melhor marcadas nas células de Schwann. A maneira como o sistema nervoso espalha o câncer ainda é um mistério.

“Agora que nós tivemos mais sorte na identificação genética do tumor, podemos ir atrás dos genes e processos envolvidos na formação do tumor, afirma Hannon A equipe também compilou um catálogo de genes da espécie que podem influenciar a patologia e a transmissão do tumor, informação que pode ser muito útil para desenvolver vacinas ou outras estratégias terapêuticas.

Para mais informações sobre o programa de preservação do demônio da Tasmânia, acesse: www.tassiedevil.com.au.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
3 de julho de 2026

Tuberculose mata três macacos no Cetas-RJ; centro está em quarentena

Confirmação da doença que levou a óbito macacos-pregos no Cetas de Seropédica leva Ibama a estender suspensão no recebimento de novos animais

Salada Verde
3 de julho de 2026

PL que retarda ação de órgãos ambientais por dois anos tem urgência aprovada

Proposta de deputado do PL prevê que órgãos ambientais aguardem dois anos para aplicar medidas como embargos e apreensões em propriedades de até 560 hectares

Salada Verde
3 de julho de 2026

Enchentes do Rio Grande do Sul fundamentam novo conceito para identificar áreas de risco

Chamada de Zona de Arraste, nova classificação nomearia fenômeno onde a força da natureza transforma uma inundação em um fenômeno de alta capacidade destrutiva

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.