Salada Verde

Brasil e Peru defendem usinas na Amazônia

Em encontro em Manaus, Lula e Alan Garcia firmam acordo de cooperação que inclui novos empreendimentos na floresta e a extensão de um gasoduto.

Salada Verde ·
17 de junho de 2010 · 16 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
O presidente peruano encontra-se com Lula em Manaus (foto: Presidência da República)
O presidente peruano encontra-se com Lula em Manaus (foto: Presidência da República)

Manaus – Para o presidente Lula, críticas a construção de hidrelétricas na Amazônia satisfazem interesses de países desenvolvidos, interessados em vender usinas nucleares a países pobres. “A energia nuclear, apesar de limpa, é cara e a tecnologia é importada dos países do ricos”, afirmou Lula. A melhor opção para os países sul-americanos seria então a energia produzida em hidrelétricas, que segundo o presidente brasileiro é limpa e barata.

A afirmação do presidente foi feita nesta quarta-feira em Manaus, durante a assinatura de uma série de acordos de cooperação e integração com o Peru. Um dos acordos permite ao país andino exportar o excedente de energia produzida por lá. O Brasil está interessado na construção de um complexo de usinas, que poderiam fornecer ao país 6 mil MW de energia. Entre as usinas em estudo está a de Inambari, com capacidade para 2mil MW, mas muito criticada pelos impactos ambientais e sociais, além da previsão de que inunde um trecho da recém-construída Rodovia Interoceânica.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



A construção da usina foi defendida também pelo presidente peruano Alan Garcia. Segundo ele, a área de floresta inundada (20 mil hectares, segundo o presidente) poderia ser compensada pela recuperação de uma área já degradada. “Temos 10 milhões de hectares de floresta amazônica já devastada, poderíamos recuperar a mata em uma área contígua ou próxima da área alagada”, afirmou Garcia. Segundo o presidente, é preciso colocar a questão em proporções exatas entre os perigos e as imensas vantagens do empreendimento.

A extensão do gasoduto de Camisea foi outro empreendimento com participação brasileira defendido por Alan Garcia. Segundo ele, o uso do gás natural vai reduzir o consumo de lenha no sul do país e impedir que se siga destruindo a natureza. Para o presidente peruano, os projetos devem ser analisados de forma integrada e não apenas os impactos localizados dos empreendimentos. (Vandré Fonseca)

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
31 de julho de 2026

Justiça determina que Rio incorpore clima no processo de licenciamento ambiental

Decisão estabelece prazo de 90 dias para que prefeitura passe a exigir de empreendimentos poluidores plano de mitigação de emissões e medidas de compensação

Salada Verde
31 de julho de 2026

Quase 600 áreas protegidas da Amazônia não registraram desmatamento no primeiro semestre

Mais de 80% das áreas protegidas do bioma não apresentaram desmatamento entre janeiro e junho deste ano, segundo o Imazon. É o melhor desempenho dos últimos 8 anos

Colunas
31 de julho de 2026

A Era do Fogo: o alerta que vem da França

Os incêndios franceses demonstram que capacidade técnica e econômica, embora indispensáveis, não garantem proteção quando os ecossistemas perdem resiliência

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.