Desde os surpreendentes 20 milhões de votos de Marina Silva (PV), os dois candidatos à presidência têm se esforçado para parecer mais verde. Recentemente, Lula chegou a chamar a Amazônia de “querida”, num esforço para esverdear a candidata petista. Dilma segue os passos do presidente. “Ultimamente, a candidata do governo, Dilma Rousseff (PT), anda morrendo de amores pela Amazônia. ‘A preservação deste bem é um dever do Brasil para com os brasileiros do futuro’, disse, no início do mês. Mas sobre os atropelos do governo para cima da floresta, ela não deu uma palavra. Nem soluções concretas” afirma o site do Greenpeace.
Serra também tem se esforçado. “Sou ambientalista, defendo muito o patrimônio florestal”, disse em Santa Catarina, por ocasião de sua campanha presidencial. Mas também não esclarece tudo o que pretende fazer, e como. “Não basta dizer que é ambientalista desde criancinha. É preciso se comprometer”, chegou a afirmar o diretor-executivo do Greenpeace, Marcelo Furtado. “Espero que seja um esforço sincero. O povo tem uma inteligência incrível, uma sensibilidade fina, as pessoas sabem o que é apenas declaratório”, Marina Silva disse à Agência Estado.
Ontem a candidata do PV declarou, em concordância com seu partido, a neutralidade de seu apoio a qualquer dos candidatos no segundo turno. Em uma carta a Dilma e Serra, afirmou: “O novo milênio que se inicia exige mais solidariedade, justiça dentro de cada sociedade e entre os países, menos desperdício e menos egoísmo. Exige novas formas de explorar os recursos naturais, sem esgotá-los ou poluí-los. Exige revisão de padrões de produção e um fortíssimo investimento em tecnologia, ciência e educação”.
Será que depois dela a política no Brasil caminhará por trilhas mais sustentáveis? É esperar para ver. Esta é, pelo menos, a vontade de milhões de brasileiros. “Claramente a votação da Marina, embora não tenha sido toda verde, mostra que existe uma coalizão verde respeitável no Brasil, composta por formadores de opinião e com importante força política. Esta coalizão não é majoritária, mas é poderosa”, explica o cientista político Sergio Abranches. (Karina Miotto)
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