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A importância de reduzir a velocidade para salvar vidas de pedestres

Uma em cada cinco pessoas atendida no Serviço de Cirurgia de Emergência e Trauma do principal pronto-socorro de São Paulo foi atropelada. A 30 km/h, índice de mortes em acidentes cai para 5%; a 80 km/h, a chance de sobrevivência é praticamente nula.

Redação ((o))eco ·
19 de julho de 2011 · 15 anos atrás
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Estudo divulgado nesta terça-feira, 19 de julho de 2011, indica que atropelamentos são a principal causa de internação por traumas no Serviço de Cirurgia de Emergência e Trauma do principal pronto-socorro de São Paulo, o Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Nada menos do que uma de cada cinco pessoas  (20,5%) atendidas foram atropeladas. Os acidentados com motocicletas vem logo em seguida (19,5%).

Dos atropelados atendidos no Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas, 62,9% são homens; certamente, alguns distraídos.

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Cubatão, cercada por indústrias e rodovias

Velocidade e aceleração são as palavras-chaves nesta equação. Os carros e motos ficam cada vez mais potentes, capazes de atingir velocidades altíssimas em segundos; as corridas de rua são glamourizadas com apoio do poder estatal, em instalações públicas; nos filmes para crianças e nos novos brinquedos agora os heróis são carros velozes (e furiosos, eventualmente).

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Em acidentes, quando o carro está a 30 km/h, 30% dos atropelados saem ilesos, 5% morrem e 65% ficam feridos. A 50 km/h, 5% saem ilesos, 45% morrem e 55% ficam feridos. Acelerando mais um pouquinho, a 65 km/h, ninguém sai ileso, 85% morrem e 15% ficam feridos. A 80 km/h, ninguém sai ileso e quase 100% das vítimas morrem. Os números são do Observatório de Segurança Viária da Espanha, foram publicados originalmente no jornal El País e estão disponíveis em português nesta análise do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes.

A tragédia cotidiana em curso, com a qual nos acostumamos e que passamos a considerar normal, não só e estúpida como também cara. Em nota divulgada nesta manhã pela assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, o professor do Departamento de Cirurgia lembra que “o número elevado de internações por trauma, além de onerar todo o sistema de saúde, traz um comprometimento social e da esfera trabalhista”.

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A maneira como nos locomovemos define o tipo de cidades em que vivemos. A relação é direta; e não é por acaso que têm sido difícil respirar em São Paulo. Quando o assunto é velocidade, porém, e não poluição, a aceleração no transporte individual motorizado implica em tirar as crianças e os idosos das ruas, cercar com grades os cruzamentos mais perigosos para evitar que pedestres caminhem por ali e, quiçá, proibir pura e simplesmente a circulação de pessoas. Ainda não chegamos a tanto.

E talvez nem seja preciso chegar. Se as iniciativas da Secretaria Municipal de Transporte em respeito à vida tiverem o apoio necessário por parte do prefeito, da população e da mídia, talvez seja possível frear a construção da anticidade. E, entre elas, a redução da velocidade nas vias é fundamental para salvar vidas de pedestres. Distraídos ou não.
 

Nuvem de poluição sobre São Paulo, hoje cedo

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