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Bolívia: indígenas que cultivam cacau sustentável ganham prêmio

Produção mantém a renda das famílias e a floresta preservada. Apenas 500 ha são usados para o cultivo do cacau, que rende 45 toneladas por ano.  

Giovanny Vera ·
1 de dezembro de 2013 · 13 anos atrás
O prêmio Cocoa of Excellence/International Cocoa Awards elegeu os 50 melhores cacaus do mundo. O produto da Associação de Produtores Agroflorestais da Amazônia Boliviana foi eleito entre eles. Crédito: Thomas Raffoux, copyright Event International
O prêmio Cocoa of Excellence/International Cocoa Awards elegeu os 50 melhores cacaus do mundo. O produto da Associação de Produtores Agroflorestais da Amazônia Boliviana foi eleito entre eles. Crédito: Thomas Raffoux, copyright Event International

O cacau produzido pela Associação de Produtores Agroflorestais da Amazônia Boliviana (APARAB) recebeu, no dia 30 do mês passado, o Prêmio Internacional do Cacau 2013, no Le Salon du Chocolat, em Paris, França. O prêmio é um reconhecimento a excelência na produção do cacau de alta qualidade, e consagra os 50 melhores do mundo.

A associação enviou sementes de cacau amazônico secas e fermentadas convertidas em licor de cacau e em chocolate para ser avaliados por um júri internacional, formado por 40 fabricantes de chocolate e especialistas. Através deste processo, o cacau boliviano foi selecionado entre os 50 melhores do mundo. Da América do Sul, apenas 3 países tiveram amostras de cacau selecionados: Bolívia, Peru e Venezuela.

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Formada por 216 famílias de camponeses indígenas das regiões de Beni e Pando, em plena Amazônia boliviana, os associados da APARAB cultivam cacau em mais de 500 hectares, com uma produção anual de quase 45 toneladas. O beneficio não é só econômico e unicamente para as comunidades. Para Marcos Nordgren, diretor regional do Centro de Investigação e Promoção dos Camponeses (CIPCA), a associação realiza um trabalho de produção amigável com o meio ambiente através de práticas agroecológicas onde “não são usados químicos, e nem os solos e a floresta são degradados”.

De acordo com Marcos, a produção sustentável de cacau feita pelos indígenas ajuda a recuperar florestas degradadas na região amazônica, pois aplica “sistemas agroflorestais combinados com cultivos de mandioca, banana, cupuaçu, açaí, além de manejo de madeira, como o cedro-cheiroso e o mogno”.

As famílias trabalham com uma variedade de cacau própria da região. Os componentes do cacau são secados, fermentados, tostados e moídos. Para Marcos, a forma de produção ecológica da associação representa “o futuro para a produção na região, e a oportunidade de desenvolvimento com um modelo de produção sustentável para a Amazônia”.

O objetivo do Prêmio Internacional do Cacau é unir os produtores com os fabricantes de chocolate do mundo inteiro, e proporcionar reconhecimento mundial aos produtores de cacau de alta qualidade.

 

 

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  • Giovanny Vera

    Giovanny Vera é apaixonado pela área socioambiental. Especializado em geojornalismo e jornalismo de dados, relata sobre a Pan-Amazônia. →

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