![]() |
O cacau produzido pela Associação de Produtores Agroflorestais da Amazônia Boliviana (APARAB) recebeu, no dia 30 do mês passado, o Prêmio Internacional do Cacau 2013, no Le Salon du Chocolat, em Paris, França. O prêmio é um reconhecimento a excelência na produção do cacau de alta qualidade, e consagra os 50 melhores do mundo.
A associação enviou sementes de cacau amazônico secas e fermentadas convertidas em licor de cacau e em chocolate para ser avaliados por um júri internacional, formado por 40 fabricantes de chocolate e especialistas. Através deste processo, o cacau boliviano foi selecionado entre os 50 melhores do mundo. Da América do Sul, apenas 3 países tiveram amostras de cacau selecionados: Bolívia, Peru e Venezuela.
Formada por 216 famílias de camponeses indígenas das regiões de Beni e Pando, em plena Amazônia boliviana, os associados da APARAB cultivam cacau em mais de 500 hectares, com uma produção anual de quase 45 toneladas. O beneficio não é só econômico e unicamente para as comunidades. Para Marcos Nordgren, diretor regional do Centro de Investigação e Promoção dos Camponeses (CIPCA), a associação realiza um trabalho de produção amigável com o meio ambiente através de práticas agroecológicas onde “não são usados químicos, e nem os solos e a floresta são degradados”.
De acordo com Marcos, a produção sustentável de cacau feita pelos indígenas ajuda a recuperar florestas degradadas na região amazônica, pois aplica “sistemas agroflorestais combinados com cultivos de mandioca, banana, cupuaçu, açaí, além de manejo de madeira, como o cedro-cheiroso e o mogno”.
As famílias trabalham com uma variedade de cacau própria da região. Os componentes do cacau são secados, fermentados, tostados e moídos. Para Marcos, a forma de produção ecológica da associação representa “o futuro para a produção na região, e a oportunidade de desenvolvimento com um modelo de produção sustentável para a Amazônia”.
O objetivo do Prêmio Internacional do Cacau é unir os produtores com os fabricantes de chocolate do mundo inteiro, e proporcionar reconhecimento mundial aos produtores de cacau de alta qualidade.
Leia Também
Vida, paixão e sorte dos econegócios amazônicos no Peru
Chocolate com sustentabilidade
Mágica para salvar o mundo
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Seminário debateu o papel do jornalismo na cobertura da crise climática
Sônia Bridi, Mateus Fernandes e Ray Baniwa discutiram como a imprensa pode qualificar a cobertura das mudanças climáticas e ampliar o alcance do tema na sociedade →
Desmatamento altera características físicas de aves da Mata Atlântica
Pesquisa identifica mudanças em características físicas de espécies florestais antes mesmo da queda populacional ou do desaparecimento local →
Câmara aprova urgência para projeto que flexibiliza regras do garimpo
Regime de urgência aprovado pelos deputados permite votação direta em plenário de proposta que reduz exigências para empreendimentos garimpeiros considerados de menor porte →

