
Entre preservar uma parte importante da Mata Atlântica mineira e a demanda por explorar a mineração, o governo federal preferiu o caminho do meio ao criar uma unidade de conservação vizinha a um grande projeto de mineração. Palco de disputa entre a Vale e os movimentos ambientalistas, o Parque Nacional da Serra do Gandarela nasceu ontem (14) dividido para atender tanto aos interesses preservacionistas quanto econômicos.
O parque, inicialmente projetado para ter 38,2 mil hectares, ficou com 31,2 mil. Foi excluída a área destinada para a extração do ferro, o projeto Apollo da Vale, que é orçado em R$ 4 bilhões . Se por um lado, a criação do parque impede a expansão da mineração para dentro da área, por outro a unidade de conservação nasce sabendo que será impactada por uma atividade altamente poluente. Era tudo que os ambientalistas temiam.
A evolução do projeto
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Para Roberto Vizentin, presidente do ICMBio, a reformulação do projeto para excluir Apollo dos limites do parque foi um esforço para conseguir criar a unidade, avanço que por si só deve ser celebrado: “Nós somos ambientalistas, nós somos o ICMBio, claro que nós gostaríamos de um parque longe desse tipo de atividade econômica, sobretudo a mineração. Nós preferiríamos um parque sem nenhuma mina no seu entorno, mas a vida não é assim. A gente precisava fazer uma adaptação junto aos prefeitos, as lideranças. É uma região que preserva toda essa beleza natural, mas que tem um IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] muito baixo, então, não teríamos legitimidade e força política para criar o parque se não houvesse esse redesenho”, explica.
Vizentin afirmou que o projeto de excluir Apollo dos limites do parque já constava no mapa apresentado durante as audiências públicas. “O parque criado não é o parque proposto pelo movimento pró-Gandarela e outros. Ele é resultado de um processo de construção, negociação, audiências públicas e participação com diversos atores”.
O Movimento Águas de Gandarela, que participou da formulação do pedido de criação da unidade no local desde 2009, quando ela foi proposta ao ICMBio, jamais aceitou esse desenho para criar o parque unidade. Em 2013, a repórter Fabíola Ortiz contou ao ((o))eco essa batalha, que chegou ao fim com a vitória do meio termo.
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