Frente a frente

Pela primeira vez desde que começaram a aparecer as recentes críticas do geógrafo Aziz Ab'Saber aos estudos do IPCC, os pesquisadores tiveram a chance de rebatê-las. Foi durante a apresentação do último relatório da organização, em São Paulo, nesta terça-feira. Um dos maiores cientistas brasileiros ainda vivos disse ser impossível discutir as mudanças climáticas sem mencionar a importância das correntes marinhas nesse processo. Ressaltou a necessidade de estudos mais aprofundados sobre paleoclima e apostou nos efeitos positivos do fenômeno de aquecimento da atmosfera sobre a expansão da floresta amazônica e Mata Atlântica.

Por Redação ((o))eco
10 de abril de 2007

Resposta

O climatologista Carlos Nobre, do Inpe, lembrou delicadamente que a reunião desta terça-feira não pretendia discutir especificamente a questão das correntes marinhas, e que esse assunto já havia sido debatido no primeiro relatório do IPCC, divulgado em fevereiro deste ano. O documento propunha exatamente tratar das mudanças físicas do clima, e não de seus impactos sobre o planeta, como agora. Ele reconheceu, diante de Ab'Saber, que é de fato preciso estudar melhor os assuntos relacionados ao paleoclima da Terra, mas os modelos climáticos do passado, sozinhos, não são suficientes para explicar os possíveis cenários que o futuro nos guarda.

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10 de abril de 2007

Sugestão de leitura

Nobre se dispôs a enviar ainda nesta noite ao geógrafo o capítulo do IPCC sobre a América Latina, onde garante que a maioria das preocupações de Ab'Saber foram amplamente estudadas e esclarecidas. O pesquisador americano Phillip Fearnside também ressaltou que pela primeira vez existiu em um documento do IPCC um capítulo inteiro sobre paleoclima e citou passagens em que diversas polêmicas em torno das correntes marinhas também foram contempladas no estudo.

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10 de abril de 2007

Mais voz para a ciência

O pesquisador do INPE também aproveitou uma pergunta sobre como o governo brasileiro deve se planejar para criar programas de mitigação aos efeitos do aquecimento global para dizer que o conhecimento científico costuma ser menosprezado na criação de políticas públicas no Brasil. Um erro comum em outros países em desenvolvimento.

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10 de abril de 2007

Investimento de menos

Os pesquisadores brasileiros autores do relatório do IPCC reclamaram da velha tradição nacional de não investir em monitoramentos ecológicos de longo prazo, que são importantes para identificar a real contribuição das mudanças climáticas sobre os ambientes naturais do país. Segundo eles, só agora a Fapesp, uma das principais fundações apoiadoras de pesquisa científica do Brasil, começa a se mexer para fazer estudos sobre os impactos das mudanças climáticas por aqui.

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10 de abril de 2007

Destruição acelerada

Carlos Nobre e Phillip Fearnside foram enfáticos ao afirmarem que todos os modelos que indicam savanização de cerca de 18% da Amazônia até 2100 – inclusive o mais extremo que aponta 100% de devastação nesse período -- , só levam em consideração efeitos das mudanças climáticas. Ou seja: a contribuição do desmatamento e das queimadas estão fora dessa conta, o que, nas palavras deles, pode acelerar de forma muito mais radical o processo de destruição da Amazônia.

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10 de abril de 2007

Burburinho

Desde que foi apresentado ao público na última sexta-feira, o segundo relatório do IPCC tem sido motivo de muitos comentários em relação à influência política em seu texto final. Cientistas reclamaram em jornais do mundo inteiro que diplomatas da China, Estados Unidos e Arábia Saudita contestaram diversos pontos da 'linguagem' do documento.

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10 de abril de 2007

Por debaixo dos panos

Nesta semana, a discussão continua aquecida -- com perdão ao trocadilho. Alguns blogs, como o do jornalista Carl Zimmer, questionam pontos da versão final, mas o estudante de Zoologia da Univeridade do Hawaii, Mike Duford, foi mais longe. Ele comparou a minuta dos cientistas com a dos diplomatas e descreveu longamente diversos temas alterados na pendenga entre eles.

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10 de abril de 2007

Preocupante

Pelo menos três questões levantadas por Mike Duford põe qualquer um a refletir. Quando fala do aumento na formação de lagos glaciares em função do derretimento das neves nas montanhas, o texto final do IPCC cortou a referência de que isso poderia ser uma ameaça ao causar rompimento de barragens e outros acidentes. Outra omissão refere-se ao risco de erosões devido ao aumento do nível dos mares. Por fim, e mais impressionante, o futuro zoólogo mostra um mapa que teve as cores alteradas, quando determinadas manchas indicavam locais onde a situação já é hoje crítica.

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10 de abril de 2007

Protesto cetáceo

Ativistas do Greenpeace farão um protesto nesta quarta-feira em frente ao consulado da Nicarágua em São Paulo, para que o país vote a favor da conservação dos cetáceos na próxima reunião da Comissão Internacional da Baleia (CIB). Nas Américas, a Nicarágua é a única nação que dá seu voto ao grupo liderado pelo Japão, que pressiona a derrubada da moratória à caça desses animais. A manifestação começa às 10 horas no bairro Jardins.

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10 de abril de 2007

Áreas prioritárias no mar

Começou nesta terça-feira na sede da National Geographic Society, em Washington, um evento que reúne os maiores especialistas em proteção de áreas marinhas no mundo para debater novas estratégias de conservação. Um dos principais temas são os conteúdos do último relatório do IPCC referentes às ameaças das mudanças climáticas à vida marinha. No final do encontro, no dia 12, o será lançado o documento "O Desafio Global das Áreas Protegidas Marinhas", identificando prioridades de ação para salvar essas regiões no planeta.

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10 de abril de 2007

Moda

Não é só repórter de meio ambiente que pensa no planeta na hora de organizar uma cerimônia de casamento. Reportagem do site Planet Ark diz que festas ecologicamente corretas viraram mania na Grã-Bretanha. Vestidos reciclados, convidados chegando de bicicleta, flores plantadas em casa e buffets com comida produzida localmente – tudo vale para fazer uma média com a natureza durante o casório. Novidades verdes no ramo de produção das cerimônias têm sido lançadas toda a semana. É coisa de um ano para cá. Casar verde se tornou eco-chic.

Por Redação ((o))eco
10 de abril de 2007