Fazendo água

Em artigo publicado nesta terça-feira no Estadão, o secretário de meio ambiente de São Paulo, Xico Graziano, defende a cobrança pelo uso da água como forma de proteger os recursos hídricos. Acha que produtores rurais “conservacionistas”, que mantenham vegetação nativa em suas terras e, com isso, protejam mananciais, devem ser remunerados pelo serviço que prestam à sociedade. São “produtores de água”. “Parece utopia. Mas tal sistema funciona na cidade de Nova York. Lá, bebe-se água limpa sem tratamento químico. Os gringos pagam pela proteção das nascentes. E sai muito mais barato”, escreveu.

Por Redação ((o))eco
27 de março de 2007

Fato

No Sudoeste dos Estados Unidos, o aquecimento global é concreto. Em cidadezinhas nas montanhas do Arizona, por exemplo, que se orgulham de um clima com temperaturas muitos graus abaixo do calor reinante nos desertos próximos, os problemas crescem a olhos vistos. O aumento de temperatura nos últimos 30 anos tem agravado as queimadas na região – o período de queima aumentou em mais de dois meses, ameaçando a permanência das florestas (mais suscetíveis a pragas) e de diversas espécies ameaçadas de extinção. O inverno encurtou um bocado, e os incêndios chegam cada vez mais perto das casas . Quem escolhe o ambiente aprazível das montanhas para morar – e esse público é cada vez maior – está com receio do que ainda está por vir, mas por enquanto não tem planos de deixar a terra. A reportagem é do The New York Times.

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27 de março de 2007

Estratégia

Cientistas sul-coreanos disseram na última segunda-feira ter clonado lobos pela primeira vez, conta o site Planet Ark. Uma equipe da universidade de Seoul – a mesma que produziu o primeiro cão clonado em 2005 – mostrou dois animais nascidos há um ano e meio, Snuwolf and Snuwolffy. Os lobos coreanos, ameaçados de extinção, não são vistos em áreas selvagens do país há cerca de 20 anos. Os pesquisadores acham que a clonagem pode ser uma estratégia de conservação do bicho.

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27 de março de 2007

Acabando

Peixes coloridinhos, de recifes, são iguaria na China. Comer os bichos nos restaurantes de Hong Kong – onde são escolhidos em aquários pelos turistas – já é caro, e pode ficar cada vez mais. É que os peixes estão sendo pescados sem nenhum controle, e os estoques dos mares asiáticos têm diminuído numa velocidade impressionante. “Pode não ser mais possível comê-los em 4 a 5 anos, não importa quanto dinheiro você pague”, diz um comerciante de peixe ao site Planet Ark. Os pescadores não encontram nada no litoral de Hong Kong, e estão indo cada vez mais longe em busca dos peixinhos – chegam até ilhas remotas do Pacífico, como Fiji e Vanuatu. Se nada for feito para manejar a exploração, alertam pesquisadores, as populações continuarão a diminuir.

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27 de março de 2007

Autorização

Reportagem do Correio Brasiliense revela que o governo pretende enviar até o final do semestre ao Congresso um projeto de lei que autorize mineração em terras indígenas. O governo quer conversar antes de bater o martelo sobre a proposta: vai fazer debates com lideranças indígenas e empresariais. E só depois mandá-la para votação. A exploração – feita pelos índios ou em associação com empresas privadas – será disputada por leilão e deverá ter aval dos órgãos federais (como Funai e Ministério de Minas e Energia). Mesmo que os indígenas não se envolvam na produção, receberão um percentual do lucro.

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27 de março de 2007

Contestação

A multinacional Cargill entrou nesta segunda-feira com um mandado de segurança no Tribunal Regional Federal da 1ª Região para tentar reverter a decisão do desembargador federal Souza Prudente, que determinou a paralisação do porto da empresa em Santarém, no Pará. O argumento da Cargill é de que o fechamento do terminal desrespeita decisão de primeira instância que havia determinado que mesmo com o processo de licenciamento ambiental em curso, as instalações poderiam continuar a funcionar. A decisão sobre o mandado deve sair em 48 horas.

Por Redação ((o))eco
26 de março de 2007

Bem fundamentada

O procurador do Ministério Público Federal, Felipe Braga, responsável por um pedido de embargo ao porto da Cargill, avalia que a decisão de Souza Prudente é um exemplo de "primor jurídico" e que, portanto, o mandado de segurança da empresa não tem validade. Segundo ele, o juiz utilizou de poder cautelar para fechar o porto, o que significa que independentemente de decisões anteriores reconheu-se que o funcionamento sem licença significava um risco para a região.

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26 de março de 2007

De olho

Nesta terça-feira às 15h acontece a primeira reunião do ano do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no Palácio do Planalto. Um dos temas mais quentes referem-se à usina nuclear Angra 3. O conselho é o órgão que assessora a presidência da república em relação às questões energéticas. Portanto, é dali que pode sair a decisão para tirar o projeto do papel.

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26 de março de 2007

Explicação

Em resposta à manifestação do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que na semana passada ficaram dois dias acampados em serrarias da cidade catarinense de Anita Garibaldi, a Barra Grande S.A (Baesa) negou que estivesse desrespeitando o acordo que firmou com a entidade. O MAB acusa a empresa de desviar a madeira cortada da floresta de araucária (que hoje virou o lago da hidrelétrica) para outros fins que não a construção de casas populares. A Baesa diz que o termo define a construção de 66 casas, das quais 62 já estão prontas. E que vai entregar o que sobrou da madeira à prefeitura da cidade no final de abril, quando todos os domicílios estiverem erguidos. O MAB reclama que a madeira restante (e supostamente desviada) serve para fazer outras 450 casas.

Por Redação ((o))eco
26 de março de 2007

Ajudinha

O economista britânico Nicholas Stern, autor de um badalado relatório sobre os prejuízos do aquecimento global, propôs na última sexta-feira que os países ricos paguem nações em desenvolvimento – como Brasil e Indonésia – para manterem suas florestas de pé. Stern acha que um sistema para promover o pagamento deve ser apresentado na conferência das Nações Unidas sobre o clima que acontece no final do ano. Defende a transferência de até 15 bilhões de dólares anuais para os trópicos, para ajudar a combater o desmatamento e as emissões de gases estufa que ele provoca. “Todos nós nos beneficiamos das reduções nas emissões e todos devemos contribuir com o custo de fazer isso”, disse ele. A julgar pelas propostas que têm sido apresentadas por Marina Silva em fóruns internacionais, o governo brasileiro concorda em gênero, número e grau. A notícia está no Planet Ark.

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26 de março de 2007

Contradição

Reportagem da revista Grist se questiona sobre a situação paradoxal da produção de orgânicos nos Estados Unidos. Enquanto o consumo cresce cerca de 20% ao ano no país, a área plantada com alimentos do tipo fica quase estagnada – apenas 0,2% da terra é cultivada com orgânicos, que representam 2,5% de toda a venda de comida. Com isso, crescem as importações da China e do México, ao passo que cada vez mais cooporações (como o Wal Mart) começam a investir em alimentos produzidos com menos químicos. Segundo a reportagem, a contradição é causada pela falta de investimentos do governo. Enquanto os EUA gastam 6 milhões de dólares ao ano para estimular a agricultura orgânica, a União Européia tira dos bolsos de 70 a 80 milhões de euros. Se depender dos consumidores, a coisa vai longe.

Por Redação ((o))eco
26 de março de 2007

Ô abre alas…

Quer imagem mais poética do que essa? Taiwan fechará uma das pistas de uma movimentada rodovia do país para deixar passarem borboletas que cruzam a estrada em sua rota de migração. Todos os anos, cerca de um milhão de borboletas monarcas roxas vão do sul da ilha – onde passam o inverno – para o norte, onde se reproduzem. Como conta o jornal britânico The Guardian, os carros representam perigo para os insetos, que acabam amassados contra pára-brisas, esmagados debaixo de rodas ou sugados para dentro de motores. Além de fechar um trecho de 600 metros da pista, serão instaladas cercas (para obrigar as borboletas a passarem por cima da estrada) e um sistema de luz ultra-violeta para guiar os insetos. As autoridades acreditam que a medida pode criar certo congestionamento na estrada, mas acham que vale a pena o sacrifício.

Por Redação ((o))eco
26 de março de 2007