![]() |
Neste momento, os ânimos ficaram exaltados. Ambientalistas aplaudiam a decisão do governo enquanto que a oposição considerava “um grave descumprimento de acordo”, como afirmou Antônio Carlos Magalhães Neto. Aldo Rebelo, em ato desesperado, ofendeu pessoalmente a ex-senadora Marina Silva, presente na sessão. Acusou o marido dela, Fábio Silva, de ser contrabandista de madeira. O deputado Sibá Machado , do PT-Acre, pediu a retratação do relator.
Quatro requerimentos e 15 exaustivas horas depois, Marco Maia encerrou a sessão por falta de quórum (190 parlamentares presentes). Ainda não se sabe ao certo quando será a votação efetiva, mas está prevista para a próxima terça-feira (17). Tudo depende da reunião que está acontecendo neste momento (1h da manhã desta quinta-feira, 12) no gabinete da liderança do governo, com Aldo Rebelo.
Reuniões ao longo de todo o dia
O relator e Vaccarezza, (PT-SP) ficaram reunidos desde as 11h no Palácio do Planalto. Segundo o líder do governo na Câmara, àquela altura já havia um acordo. A dificuldade estaria na tradução deste para o texto final, que, ao fim das contas, foi apresentado diferentemente do combinado.
Tasso Azevedo, pesquisador da Esalq e ex-diretor do Serviço Florestal Brasileiro, disse que o novo texto tinha muitas manobras e “pegadinhas”, principalmente no que diz respeito à Reserva Legal: “No parágrafo 7o do Artigo 13 ele muda o conceito estabelecido de RL”. Segundo ele, outra mudança de última hora foi a troca da palavra “recomposição” por “regularização” (também da Reserva Legal).
De acordo com o líder, o governo não abre mão de que as exceções de atividade consolidada em Área de Preservação Permanente (APP) sejam feitas apenas por decreto presidencial, e não por estados ou municípios, como sugerido pelo relator. Sobre a questão dos quatro módulos fiscais, apesar de ser contra, foi adimitido em acordo que se mantivesse no texto o proposto por Aldo: que todas as propriedades do país (não só as da agricultura familiar) fossem dispensadas da porção de Reserva Legal.
Veja o que as pessoas estão falando no Twitter sobre o Código Florestal
Antes do debate, alguns deputados já reclamavam da falta do objeto de discussão. “Não sabemos o que estamos debatendo, muito menos o que será votado hoje nesta Casa”, afirmou Sarney Filho.
A deputada Rosane Ferreira (PV-PR) defendeu que, “Aprovando este Código, nós perdemos a grande oportunidade de transformar o Brasil em uma potência ambiental”. Já Giovani Cherini (PDT-RS), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, retrucou: “O Brasil deve se tornar o maior produtor mundial de alimentos, não o pulmão do mundo, como querem as instituições internacionais”.
Ricardo Tripoli (PSDB-SP) ironizou: “A natureza está no banco dos réus, vamos inocentá-la”. E Ivan Valente (PSOL-SP) completou dizendo que Aldo Rebelo entrará para a história como “o deputado da motosserra”.
{iarelatednews articleid=”24754, 24993, 24881, 24050″}
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Governo acelera obras na BR-319 antes de resolver entraves ambientais
Com R$ 678 milhões em licitação, intervenções avançam na rodovia entre Manaus e Porto Velho; Edital para pavimentação do trecho do meio está previsto para sair em abril →
Entre ficar e sair: os desafios da juventude nas comunidades da Amazônia
Falta de educação, poucas oportunidades e ausência de políticas públicas impulsionam o êxodo rural entre jovens nas comunidades do Rio Arapiuns, no oeste do Pará →
Jornalismo ambiental em tempos de crise planetária: entre o sinal de alerta e a esperança
Fórum Internacional realizado na Itália reafirma a importância do acesso à informação qualificada diante de riscos socioambientais globais que se somam às guerras e à desinformação →


