
Neste final de semana, cerca de 2.800 pessoas viajaram de São Paulo até Santos sem gastar combustível ou dinheiro para o pedágio, sem poluir e causar impactos na natureza. Entre os ciclistas que se animaram a percorrer quase 100 km utilizando somente a energia do próprio corpo, a enfrentar a garoa leve e a lama nos limites de São Paulo, está uma novata que, a pedido do OutrasVias, escreveu um relato sobre a experiência. Como de costume, a Rota Márcia Prado, que leva este nome em homenagem à cicloativista morta atropelada por um ônibus em 2009, foi organizada pelo Instituto CicloBR, que, mesmo com a resistência da concessionária Ecovias (leia mais sobre ecovias de verdade), segue pressionando para que o caminho seja oficializado. Assim como em 2010, o roteiro deste ano foi um sucesso.
Rota Márcia Prado, minha primeira cicloviagem
Por Paula Aftimus
Todo mundo ainda limpo, antes do trecho com barroFoi incrível estar entre os quase 3 mil ciclistas que, conscientes disso ou não, ajudaram a reforçar o direito de poder ir e vir de bicicleta – de São Paulo a Santos ou de qualquer lugar a qualquer lugar. Foi lindo ver tanta beleza natural num caminho cheio de verde, flores e vida. Foi extremamente cativante e inspirador sentir, a cada quilômetro, a paciência, a compaixão, a irmandade e a tolerância de estranhos que, por uma ladeira ou a partir dela, se tornaram amigos. Mas, mais do que tudo isso, o que ficou desse sábado foi a descoberta, surpreendente, de que eu consigo chegar muito mais longe do que acreditava que pudesse. A consciência de que meu corpo, minha cabeça e minha bike aguentam, sim, o tranco.
Lama e asfalto molhado E, se ainda tiver espaço nesse post…
… obrigada ao Fabricio e ao Ivan, que compartilharam cada segundo do ápice dessa história de amor, acreditando que tudo daria certo, sempre. Obrigada ao trio Tarcila, Gonza e Siqueira, que não estavam nem aí para mim e minha bike nova e que, justamente por isso, me fizeram sentir que pedalar 80 Km era tão fácil e habitual quanto pedalar até a padaria. Obrigada à Renata, ao Sussa e a tantos outros que organizaram essa aventura toda, num esforço voluntário e apaixonado, para que gente como eu quisesse e pudesse repetir esse final de semana no próximo e no próximo. Obrigada Talita, Aline e Odin simplesmente por olharem para mim como se eu jamais tivesse desistido de pedalar lá quando tinha 6 anos de idade. E obrigada ao Daniel, por entender e topar esse ménage tão lindo e transformador!”



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