
A Chelonoidis elephantopus era uma tartaruga com carapaça em forma de sela, encontrada apenas na Ilha Floreana, sul do arquipélago de Galápagos. Alvo de caçadores, foi considerada extinta há 150 anos, mas pesquisadores da Universidade de Yale, Estados Unidos, descobriram que descendentes desta espécie ainda vivem em uma área remota, no norte do arquipélago, a cerca de 320 quilômetros do habitat original.
Em um artigo que será publicado na edição desta quarta-feira do periódico científico Current Biology, os pesquisadores revelam ter encontrado marcadores genéticos indicando que a existência de pelo menos 84 indivíduos híbridos descendentes diretos de C. elephantopus puro-sangue. Estas tartarugas vivem em meio a uma população de 7 mil animais, a maioria delas da espécie G. becki, no vulcão Wolf, Norte da ilha Isabela, a maior de Galápagos.
Para os pesquisadores, a descoberta é importante porque significa a possibilidade de repovoar o habitat original das tartarugas. “Se nós pudermos encontrar estes indivíduos, poderemos restaurá-los à ilha original. Isto é importante porque estes animais são espécies-chave, que desempenham um papel importante na manutenção da integridade ecológica das comunidades das ilhas”, afirma a autoria principal do artigo, Gisella Caccone, pesquisadora do Departamento de Ecologia e Biologia Evolucionária da Universidade de Yale.
As amostras de sangue de mais de 1.600 tartarugas encontradas no vulcão Wolf foram coletadas pelos pesquisadores em 2008. Os dados genéticos foram comparados com informações de tartarugas vivas e extintas. Os pesquisadores concluíram que, em 30 casos, a fecundação ocorreu nos últimos 15 anos. Esse dado levou a equipe de pesquisadores a acreditar em uma grande possibilidade de muitas C. elephantopus puras ainda estarem vivas, já que as tartarugas-gigantes podem viver mais de cem anos em ambiente selvagem.
O difícil é encontrá-las, já que devem ser poucos indivíduos, misturados a milhares de tartarugas soltas na ilha. Mesmo que não sejam encontrados indivíduos puros, os pesquisadores acreditam que um programa de cruzamentos intensivos entre híbridos possa ressuscitar a C. elephantopus.
Salvos por piratas

Na viagem histórica que fez a Galápagos, em 1835, o naturalista notou que tartarugas que viviam em ilhas diferentes tinham formato de carapaça diferente, uma das observações que inspiraram a teoria da evolução baseada em seleção natural. Enquanto as tartarugas da Ilha Floreana eram em forma de sela, ou seja, tinha a parte anterior mais alta, outras tartarugas tinham o casco em forma de domo, mais comum entre os quelônios.
As carapaças em forma de sela são características das tartarugas que vivem em áreas mais secas do arquipélago. Este formato facilita o movimento da cabeça e pescoço do animal para cima, para se alimentar de arbustos e plantas mais altas.
Os hibrídos encontrados pelos pesquisadores seriam descendentes das últimas 38 C. elephantopus puro-sangue sobreviventes. A equipe duvida que as tartarugas encontradas no Vulcão Wolf tenham chegado lá por elas mesmas. Para os cientistas, estas tartarugas devem ter sido capturadas por piratas ou caçadores de baleia, o que era comum na época, para servir de alimento durante a viagem. Mas os animais teriam sido jogados no mar ou em direção à ilha Isabela.
Artigo: Genetic rediscovery of an ‘extinct’ Galápagos giant tortoise species.
Autores: Ryan C. Garrick, Edgar Benavides, Michael A. Russello, James P. Gibbs, Nikos Poulakakis, Kirstin B. Dion, Chaz Hyseni, Brittney Kajdacsi, Lady Márquez, Sarah Bahan, Claudio Ciofi, Washington Tapia, and Adalgisa Caccone.
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