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INPA avalia efeitos do clima sobre tambaquis

Instituto tem feito testes com tambaquis baseados em modelos climáticos para 2100, de acordo com IPCC. Crescimento dos peixes poderá ser afetado.

Karina Miotto ·
22 de fevereiro de 2012 · 14 anos atrás

 

Tambaqui pode crescer menos com mudanças climáticas. (Crédito: Wikipedia)
Tambaqui pode crescer menos com mudanças climáticas. (Crédito: Wikipedia)

Em 2100, devido às novas condições climáticas do planeta, tambaquis – peixes comuns na região amazônica e com elevado grau de adaptação a diversos tipos de ambientes – poderão ter seu crescimento afetado. Esta é a conclusão do projeto “Crescimento do tambaqui em cenários de mudanças climáticas”, realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

Embora não seja possível recriar em laboratório condições exatamente iguais às do futuro, certas espécies podem ser submetidas a variações do clima aproximadas com base no que afirma o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). “Os experimentos que estamos realizando, nos chamados microcosmos, vão esclarecer à sociedade o que pode acontecer com organismos aquáticos submetidos a temperaturas mais elevadas”, explica Vera Val, uma das pesquisadoras do projeto.

Os resultados já obtidos mostram que, além de afetar a biodiversidade e a variedade de espécies, alterações climáticas inevitavelmente serão sentidas por populações locais que dependem de certos organismos para sobreviver. As consequências também poderão ser econômicas, uma vez que muitos animais são explorados comercialmente.

Conheça o tambaqui

O tambaqui (Colossoma macropomum) é um peixe herbívoro e migratório que, durante as cheias, sai da calha do rio para desovar e se alimentar de frutos, abundantes nas áreas alagadas. Importante agente de dispersão de sementes, é considerado uma das espécies mais importantes e rentáveis da pesca comercial – é o segundo peixe mais cultivado do Brasil. No norte do país, a maior parte da produção fica em Rondônia. Devido à sobrepesca, o número destes animais sofreu queda durante a década de 80.
 


Leia também:
Rondônia sem tambaqui 

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