
Em 2009, uma placa em homenagem à Dorothy Stang e outros “mártires que tombaram na luta pela preservação da floresta e reforma agrária na Amazônia” foi pregada numa árvore em Anapu, Pará, cidade onde a missionária foi assassinada há 10 anos. A placa continua no local, mas está crivada de balas, um alerta nada sutil sobre qual o destino esperado para quem ousa contrariar os interesses dos poderosos locais.
A impunidade em torno de um dos casos mais famosos de violência no campo no Brasil é tanta que o assassinato da missionária Dorothy Stang se transformou num símbolo do poderio da elite local, mantido com sangue, e das resistências.
A missionaria foi morta por seis tiros enquanto caminhava por uma estrada de difícil acesso. O principal mandante do crime, o fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como Taradão, aguarda o fim do processo em liberdade, após habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio de Melo no STJ.
O também fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, o intermediário Amair Feijoli da Cunha, o Tato, e os pistoleiros Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Batista – cumpriram ou ainda cumprem suas penas, segundo o Ministério Público Federal.
Dorothy lutava pela criação dos assentamento Esperança e Virola-Jatobá, que só foram reconhecidos pelas autoridades após o crime. Uma área no centro do assentamento Esperança era alvo de disputa entre fazendeiros e trabalhadores. O local já era reconhecido pelo Incra como pertencente à União, mas os fazendeiros da região reclamavam pela posse da área.
Após o assassinato, o processo de transformar o local em assentamento do Incra avançou, mas moradores ainda enfrentam resistência por parte dos latifundiários. Até guaritas foram instaladas nas estradas de acesso para evitar ataques.
Mortes no campo

De acordo com a Pastoral da Terra, o Pará concentra 35% dos assassinatos no campo ocorridos entre 2005 e 2014. Só no estado foram assassinados 118 pessoas por conflitos fundiários. No país todo foram 334. Ainda de acordo com a Pastoral, das 548 tentativas de assassinato, 165 aconteceram no Pará. Das 2.118 das pessoas ameaçadas de morte, 617 viviam no Pará.
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