BRASÍLIA – Ecoando suas vozes, tradições, culturas e reivindicações, os povos indígenas que estão reunidos no Acampamento Terra Livre 2026 marcharam pela segunda vez nas ruas de Brasília. Intitulada de ‘Demarca, Lula: Brasil Soberano é terra indígena demarcada e protegida”, a marcha se iniciou debaixo de uma forte chuva que veio inesperadamente, entretanto, o mau tempo não foi empecilho para que a mobilização seguisse.
A concentração ocorreu ainda dentro do ATL, localizado no Eixo Monumental, e começou no início da tarde desta quinta-feira (9). Organizações da sociedade civil, Defensoria Pública do Distrito Federal, assim como Secretaria de saúde, se uniram às organizações indígenas de todos os estados do Brasil, em um percurso de quase 5 quilômetros em direção a Praça dos Três Poderes. A caminhada contou com participação de rituais, defumações, danças e cantos, representando a cultura de cada povo originário, assim como gritos de ‘Demarca Lula’, ‘Território é vida e futuro’, ‘Terra demarcada, é vida protegida’ e a principal campanha da Coordenação dos Povos Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), ‘A resposta somos nós’.
A mobilização ocorreu de forma pacífica, sem nenhum tipo de interferência ou incidente violento. A Polícia Militar do Distrito Federal acompanhou a passeata formando um cordão de proteção aos participantes e também a cavalo, observando cada movimentação. Já no carro de som, lideranças indígenas buscavam espaço para ter sua voz ouvida e suas reivindicações anunciadas e compartilhadas com os outros.
Ao final, em frente ao Congresso Nacional, uma gigantesca carta escrita em alusão ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi estendida no gramado da Praça dos Três Poderes, com uma caneta Inflável, assinando a demarcação das Terras Indígenas do Brasil. A ex-presidenta da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), Joenia Wapichana, caminhou junto a delegação de Roraima segurando o cartaz tema da campanha da Coiab, “Terra demarcada, vida protegida! Nosso Futuro não está à venda: A resposta somos nós”.
“A minha luta, a luta do meu povo de Roraima é a luta de todos. Nós estamos aqui para fazer parte da manifestação, deixar o nosso recado no congresso nacional. Estamos na frente do congresso nacional para lembrar que os povos indígenas estão atentos, sabem dos seus direitos, sabem o que precisa ser implementado”, afirmou em discurso.
Deputada indígena de Minas Gerais, Célia Xakriaba destacou em cima do trio elétrico, que a mobilização do ATL é histórica e necessária para a luta de direitos. “A nossa presença não é convite, é enfrentamento. Estamos aqui mostrando a força dos povos indígenas, o território em movimento atravessando Brasília”.
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