
Manaus, AM — Um estudo realizado ao longo de três anos indica uma população de jaguatiricas (Leopardus pardalis) estável, mas abaixo do esperado para a Amazônia Central, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Amanã, interior do Amazonas. De acordo com o levantamento, que utilizou armadilhas fotográficas, a floresta abriga 25 animais da espécie a cada 100 quilômetros quadrados.
O resultado esperado nessa região da Amazônia, com base em estudos anteriores que utilizaram métodos diferentes, era de cerca de 80 indivíduos por 100 quilômetros quadrados. O artigo foi publicado na edição desta quarta-feira da revista científica on-line PLOS One, pela equipe liderada pelo biólogo Daniel Gomes da Rocha, do Instituto Mamirauá. A pesquisa também indicou que, ao longo do período analisado, a densidade populacional do felino não se alterou.
“Os resultados ajudam a melhorar nossa compreensão sobre o padrão de distribuição espacial da jaguatirica e será útil para refinar a avaliação sobre o risco de extinção da jaguatirica e basear futuras ações de conservação para a espécie”, afirma Daniel Gomes da Rocha.
O estudo publicado esta semana não distingue os animais entre os sexos, o que pode afetar a estimativa sobre a densidade, segundo os autores, já que machos ocupam áreas bem maiores dos que as fêmeas. Mas os pesquisadores acreditam que os resultados são importantes para compreender melhor a ecologia da jaguatirica, o terceiro maior felino brasileiro.
Perda de habitat preocupa
Apesar de ter sido muito caçada nas décadas de 1960 e 1970, para retirada da pele, a jaguatirica é considerada, atualmente, pouco ameaçada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês). Mas a perda de habitat ainda é uma preocupação. Na Amazônia, a jaguatirica é considerada bem protegida, com uma densidade populacional esperada alta para a espécie.
Mas no Nordeste do México e, principalmente, no Texas (EUA), a população da espécie tem apresentado um declínio dramático, segundo a IUCN, com prováveis impactos negativos sobre a variedade genética e isolamento. No estado americano, estima-se que restem apenas entre 50 e 80 indivíduos.
As jaguatiricas são encontradas desde o Norte da Argentina até o Sudoeste dos Estados Unidos, sendo a espécie de felino mais comum em habitas tropicais e subtropicais do novo mundo.
Saiba Mais
Artigo: Ocelot (Leopardus pardalis) Density in Central Amazonia
Leia Também
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Análises genéticas revelam um novo gato brasileiro
Pesquisadores descobrem que felino que ocorre do Rio Grande do Sul ao Maranhão, na realidade, tratava-se de duas espécies diferentes. →
Mamirauá: onças-pintadas sobrevivem na selva inundada
Pesquisa do Instituto Mamirauá comprova que estes animais são capazes de viver nas florestas alagadas durante os meses da cheia amazônica. →
Alerta para extinção das jaguatiricas na Mata Atlântica
Levantamento sobre jaguatiricas indica que situação deste predador é preocupante. Principal ameaça é a concorrência com caçadores. →


porque o ser humano é tão ganancioso com e principalmante com os animais?
Quem mandou essas jaguatiricas morarem nessa UC de uso sustentável?
E isto mesmo, o projeto Humano de detonar os não Humanos como apresentar resultados.