O nascimento de um filhote de bicudo foi motivo de comemoração no meio científico e fora dele esta semana, por seu significado para a conservação da espécie. Na última quarta-feira (15), o Projeto Bicudo divulgou o registro do primeiro nascimento de um filhote em vida livre, filho de um casal reintroduzido.
Segundo o projeto, o casal que recentemente voltou a viver em vida livre na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Porto Cajueiro (MG) pôs dois ovos no início de fevereiro, e cerca de 15 dias depois nasceu o primeiro filhote.
“Um momento emocionante que simboliza anos de trabalho técnico, planejamento, manejo, monitoramento e dedicação em prol do retorno do bicudo ao seu ambiente natural. Um novo capítulo para o bicudo na natureza!”, disse o projeto, em suas redes.
O bicudo (Sporophila maximiliani) é considerado criticamente ameaçado nacionalmente. Por seu canto melódico, a espécie sofre, historicamente, com a captura ilegal, além da perda de habitat.
O declínio populacional foi tanto que, atualmente, existem menos de 100 indivíduos maduros em vida livre no Brasil. “O nascimento é um sinal concreto de que a conservação funciona quando há compromisso, ciência e parceria”, afirma o Projeto Bicudo.

Segundo o biólogo Gustavo Malacco, o nascimento é um marco para o projeto, iniciado em 2018. “A reintrodução é muito importante porque hoje podemos afirmar com segurança que a espécie está extinta em 99% da área em que ela ocorria originalmente. E o nascimento mostra que o trabalho que a gente faz de pareamento, aclimatação, manejo sanitário, deu resultado”, comemora.
Segundo ele, a meta é que os filhotes nascidos em vida livre se tornem futuros pais. Isso leva tempo, diz, mas o primeiro passo foi dado. “Acho que atingimos uma primeira etapa, um primeiro grande objetivo do projeto”, afirma.
O bicudo integra os Planos de Ação Nacional (PAN) para conservação das aves ameaçadas de extinção, coordenados pelo ICMBio. Além disso, um passo importante será dado internacionalmente no mês de março para a conservação da espécie.
A partir da próxima quinta-feira (5), entram em vigor novas regras que restringem a comercialização de espécies entre países. A medida foi tomada na 20ª Conferência das Partes da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (Cites), realizada em dezembro, no Uzbequistão.
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