Um grupo de pesquisadores em expedição à Estação Ecológica Rio Acre (AC) vivenciaram, na última semana, uma situação curiosa e cientificamente intrigante: o encontro com dois exemplares de palmeira ouricuri sem clorofila. Saber quanto tempo eles vão sobreviver e como será a evolução dos exemplares albinos é o próximo passo.
Trata-se de uma palmeira conhecida no Acre como ouricuri (Attalea phalerata). Os pesquisadores encontraram os exemplares durante uma saída de campo para amostragem da vegetação.
“São dois indivíduos pequenos ainda, mas não estão ligados ao fruto, já estão desconectados do fruto, então a gente na verdade não sabe como vai ser porque eles não têm clorofila”, explica Rita Portela, professora do Programa de Pós- Graduação em Ecologia da UFRJ.
Segundo ela, que estuda palmeiras há cerca de 20 anos, não há registros na literatura sobre Attalea phalerata nessas condições.



“Demos uma busca na literatura e só achamos relatos de albinismo em espécies que são cultivadas, como tabaco, cacau e uma espécie muito usada para experimentos que é a Arapidopsis [Arabidopsis thaliana]. Eu trabalho há mais de 20 anos com palmeiras da Mata Atlântica e também nunca vi e não vi nenhum relato”, diz.
A expedição em que a ouricuri albina foi encontrada faz parte de uma disciplina de campo conjunta entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal do Acre (UFAC), nos programas de pós-graduação em Ecologia que as universidades mantém.
A ESEC Rio Acre está localizada em uma das mais isoladas e preservadas regiões da Amazônia brasileira. É uma unidade de proteção integral, sob gestão federal, com cerca de 80 mil hectares.
Segundo a professora Rita Portela, o fruto da ouricuri é muito utilizado pela fauna local, o que confere à espécie o status de recurso-chave. De acordo com ela, o próximo passo será o monitoramento. “O ICMBio vai acompanhar para ver se ela irá sobreviver e até quando sem clorofila”, explica.
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