Notícias

Reunião sobre mineração no fundo do mar começa com pedidos globais por moratória

Desconhecimento sobre impactos ambientais e humanos da atividade engrossa coro por mais estudos e até banimento

Aldem Bourscheit ·
30 de outubro de 2023 · 2 anos atrás

Começa hoje em Kingston (Jamaica) a 28ª reunião do Conselho da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA, sigla em Inglês). Ligado à Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, o colegiado tem o poder de decidir sobre a mineração no fundo do mar.

Diante da falta de conhecimento sobre os prejuízos da atividade aos ecossistemas e vida marinhos, bem como às pessoas, sobretudo as cujas vidas dependem da saúde desses ambientes, cresce o coro de vários setores por uma longa moratória ou banimento global desse tipo de mineração.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Nos últimos 6 meses, dezenas de países, do Brasil a nações do Pacífico, Volker Türk, alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, lideranças indígenas, empresas, o Conselho Consultivo de Ciências das Academias Europeias e até instituições financeiras ergueram barreiras à atividade.

Companhias e governos de países como Canadá e China alegam que sem tirar itens como manganês, níquel, chumbo e cobalto do fundo do mar não será possível “descarbonizar” economias com a produção de painéis solares e baterias de carros elétricos. Tudo para frear a crise global do clima.

Ao mesmo tempo, cientistas e conservacionistas afirmam que há minerais suficientes em terra, com extração direta, reúso e reciclagem. As informações são da Deep Sea Conservation Coalition, que reúne organizações internacionais em prol da conservação da biodiversidade em alto mar.

Numa reunião em agosto da ISA, mostrou ((o))eco, a mineração quase foi liberada, mas uma moratória foi aprovada até 2025. Todavia, a medida é frágil e pode ser revertida por uma nova decisão do colegiado, sempre sob forte pressão das indústrias e países mineradores.

Na ocasião, o Itamaraty propôs um freio de ao menos 10 anos para estudos quanto aos impactos dessa mineração na biodiversidade e ambientes marinhos. Mas o Brasil não colocou todos os ovos no mesmo cesto e mantém certas portas abertas à mineração em águas profundas.

Autorizado pela ISA, o país pesquisa minerais na chamada Elevação do Rio Grande, a 1.200 km da costa. Desde 2004, o Brasil pede às Nações Unidas a expansão de sua zona econômica exclusiva de 200 para até 350 milhas náuticas, visando a exploração de petróleo, gás e minérios. 

Saiba mais sobre a mineração em águas profundas de mares e oceanos na recente apresentação de ((o))eco durante evento online do Pulitzer Center, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Encontro Recifal Brasileiro (Erebra).

  • Aldem Bourscheit

    Jornalista cobrindo há mais de duas décadas temas como Conservação da Natureza, Crimes contra a Vida Selvagem, Ciência, Agron...

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
2 de agosto de 2023

Mineração em alto-mar pode ser liberada em até dois anos

Brasil queria uma moratória de uma década para mais estudos sobre os efeitos da atividade na vida e ecossistemas oceânicos

Reportagens
22 de março de 2023

Há luz na conservação do alto-mar

O acordo precisa de regramentos para temas como a criação de áreas protegidas e a exploração de recursos minerais e genéticos

Reportagens
27 de julho de 2023

“Não podemos explorar tudo e esperar que isso funcione”, diz Sylvia Earle

Em mergulho nas Ilhas Cagarras, no Rio de Janeiro, a oceanógrafa considera que a humanidade ainda tem tempo de reverter o quadro de destruição nos oceanos; ((o))eco acompanhou o mergulho

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.