Reportagens

Com licença, sem razão

Em campanha para preservar as poucas araucárias que restam no estado, ambientalistas paranaenses criticam derrubada de 50 árvores autorizada em Curitiba.

Dimitri do Valle ·
10 de junho de 2005 · 21 anos atrás

Com licença do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), cerca de 50 araucárias foram derrubadas em Curitiba, para aumentar a área de um loteamento residencial. O episódio foi recebido com críticas por ambientalistas, até pelo momento do corte: a araucária está no centro de um debate nacional por sua preservação, além de ser o símbolo do Paraná e protegida por lei. Até o começo do século passado, a araucária cobria metade do território do Paraná, onde hoje resta apenas 0,8% da cobertura original.

De acordo com a assessoria do IAP, as araucárias podiam ser derrubadas porque não são nativas da região, versão contestada pelos ecologistas. A legislação ambiental permite o manejo em casos assim, mesmo envolvendo tipos escassos de árvore como o pinheiro. “A araucária plantada pode ser manejada e o pessoal do loteamento estava dentro dos limites”, comunicou a assessoria.

Clóvis Borges, diretor da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Proteção Ambiental (SPVS), com sede em Curitiba, estranha os argumentos do IAP. “Eram árvores de grande porte, com mais de 20 metros de altura e com mais de 50 anos de vida. Ninguém pode afirmar que foram plantadas”, afirmou Borges.

O ambientalista disse que o órgão ambiental se rendeu a interesses comerciais. “O IAP precisa resgatar sua identidade. Não pode ser molenga diante de pressões de empreendimentos comerciais”, criticou Borges.

Paulo Pizzi, presidente do Instituto de Estudos Ambientais Mater Natura, ONG de Curitiba, também disse que o corte não poderia ter sido autorizado. “Uma área com 50 araucárias juntas pode ter desenvolvido um sistema estável para a fauna”, afirmou.

*Dimitri do Vale tem 30 anos e é jornalista em Curitiba.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Colunas
13 de março de 2026

Quem são os atingidos por desastres?

Há mais de dez anos desde o rompimento da barragem em Mariana, em Minas Gerais (MG), faltam informações e sobram consequências

Notícias
13 de março de 2026

Nascimento de filhote de harpia em reserva da Bahia é comemorado pela Ciência

Desde 2018 não eram registrados nascimentos na unidade. Filhote ativo no Corredor Central da Mata Atlântica é passo importante para evitar extinção

Salada Verde
13 de março de 2026

Em homenagem ao cão Orelha, governo aumenta multa para quem maltrata animais

Novo decreto amplia de R$500 para R$ 1.500 valor da multa mínima em caso de maus tratos aos animais. Governo também estabeleceu a criação da Conferência Nacional de Direitos Animais

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.