Para quem gosta de vigiar o estado do planeta Terra, nada melhor do que poder observá-lo de cima, de graça e a qualquer hora. O Google Earth, com suas milhares de imagens de satélite, permite isso. E como seus donos farejam oportunidade a distância, criaram o Fórum de Meio Ambiente e Conservação, onde qualquer pessoa pode postar imagens e relatos com alguma finalidade voltada a questões ambientais.
O fórum abarca tópicos variados, como Parques Nacionais na Hungria, depósitos de lixo no Chile, qualidade do ar nos Estados Unidos e as melhores praias do mundo. É possível até acompanhar o movimento realizado por um iceberg na Antártica durante três anos. Quando o assunto é Brasil a diversidade se mantém. Está lá o Parque Nacional de Itatiaia, o Cristo Redentor, mapa de assentamentos no Rio Grande do Sul, toras no rio Amazonas, extração de ouro e inclusive assuntos que nada têm de ambientais, como igrejas e cemitérios.
Leonardo Figueiredo, que trabalha na área de geoprocessamento do Greenpeace, alerta que a lenta atualização das imagens pode prejudicar a visualização de desastres ambientais mais recentes, “Grandes áreas podem ser desmatadas de um ano para outro”. Ele dá o exemplo de Santarém, na Amazônia, que já teve áreas abertas e ainda aparece no Google Earth como mata intocada. Mas para Rodney Salomão, gerente do laboratório do Imazon, “as imagens dão, em geral, o contexto da situação hoje”. Ele explica que os criadores do Google Earth escolheram as melhores imagens e fizeram um mosaico do planeta. Portanto, ele acredita que apesar da baixa resolução em alguns pontos e da lenta atualização, os internautas podem verificar desastres ambientais sem prejuízo.
Novidades
Além do Fórum de Meio Ambiente e Conservação, o Google Earth disponibilizou em setembro links para artigos, vídeos, fotografias e blogs de instituições como o Programa de Meio Ambiente da ONU, o serviço de Parques Nacionais dos EUA e o Instituto Jane Goodall – que permite o acompanhamento diário dos chimpanzés por eles pesquisados através do geo-blog da instituição. O Google Earth também fechou parceria com a Discovery Networks para enriquecer seus mapas com conteúdo multimídia sobre as localizações geográficas visitadas pelos usuários.
Já o Programa de Meio Ambiente da ONU exibe imagens de 100 áreas com degradação ambiental extrema pelo mundo, como zonas desflorestadas da Amazônia. O programa mostra o antes e o depois desses lugares em 30 anos, o que possibilita maior conhecimento sobre a destruição imposta. No Brasil, há links para desmatamento e urbanização em Brasília, urbanização e agricultura no Parque Nacional do Iguaçu, desmatamento e urbanização em Manaus e biodiversidade, desmatamento e agricultura em Rondônia.
Como funciona
O Google Earth nada mais é do que um modelo tridimensional da cartografia do globo terrestre, construído a partir de fontes diversas, como imagens de satélite, fotografia aérea, e sistemas de informação geográfica. O seu maior atrativo é a facilidade de navegação, que lembra a de um videogame.
O programa pode ser instalado gratuitamente em PCs e MACs (recentemente, o Google levou a aplicação para os sistemas Linux e Mac OS), mas é recomendável o uso de uma placa de vídeo 3D para a formação do conjunto de imagens. Uma penca de dados é adicionada todos os meses, mas cada localidade demora de dois a três anos para ser atualizada, devido ao tamanho do planeta. O programa disponibiliza o mundo em média resolução, o que permite ver cidades, mas não detalhes, como prédios individuais. Preciosismos assim só estão disponíveis para as maiores cidades dos Estados Unidos, Europa, Canadá e Reino Unido. Mas desde maio deste ano, boa parte do Brasil foi incluída no seleto grupo.
O Google Earth também permite girar uma imagem, marcar os locais para visitá-los depois, medir a distância entre dois pontos e até mesmo ter uma visão tridimensional de uma determinada localidade. Quem precisar de imagens ainda mais precisas é possível adquirir versões mais avançadas e pagas das aplicações desenvolvidas para usos comerciais. Mas o que vale a pena mesmo é espiar o mundo sem sair de casa.
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