Treviso (Itália) – O acesso à informação qualificada nunca foi tão necessário frente ao cenário de agravamento da crise climática, ao processo acelerado de perda de biodiversidade e às perspectivas de futuro limitadas por incertezas. Somado às diversas manifestações artístico-culturais e ao compartilhamento de conhecimento científico e tecnológico, o jornalismo ambiental desempenha um papel-chave nesse contexto de conturbações multifacetadas. São reconhecidas como fundamentais as suas contribuições para impulsionar a reconexão entre a sociedade e a natureza, devendo ser parte crucial de uma força-tarefa global em prol do diálogo e do entendimento diante de um panorama marcado, também, por tragédias humanas causadas pelas guerras e pelo avanço da desinformação.
Essas foram algumas das principais mensagens difundidas por cientistas, artistas, empreendedores, gestores públicos e privados, além de lideranças religiosas e mais de cem jornalistas de 40 países reunidos pelo XVII Fórum Internacional para Informação sobre a Salvaguarda da Natureza, realizado em Treviso, região do Vêneto, na Itália, entre os dias 18 e 21 de março. Promovido pela associação cultural italiana Greenaccord, sob inspiração do tema Construindo o Futuro Juntos: Uma nova humanidade sedenta de futuro, o evento foi um chamado à reflexão crítica sobre o cenário contemporâneo de crise socioambiental, econômica, política e geopolítica global.
Por outro lado, essa imersão também representou um convite à renovação de esperanças, tanto por experiências exitosas compartilhadas, como pelas inúmeras possibilidades de união de esforços em prol do fortalecimento da comunicação a partir desse encontro de culturas do mundo, sediado na Câmara de Comércio de Treviso e Belluno.
Informação, engajamento e ação
São inúmeras as formas de comunicar os problemas atuais e motivar a busca de soluções, seja pelo jornalismo ou pelas artes, como destacado pelo jornalista e escritor italiano Marco Gisotti, diretor do Observatório Espetáculo e Meio Ambiente, que abordou o papel das produções cinematográficas em um contexto global desafiador. Frente aos dilemas impostos pela emergência climática, entre as inúmeras referências que apresentou, ele citou o exemplo de Flow, vencedor do Oscar 2025 de Melhor Animação.
Ao narrar a história de um gato que escapou de uma inundação, essa produção do diretor Gints Zilbalodis, da Letônia, encantou plateias do mundo com mensagens pedagógicas e profundamente sensíveis sobre a necessidade de adaptação da sociedade a uma realidade marcada por transformações já em curso. Para Gisotti, um especialista em economia verde, a ecologia tende a se tornar “parte importante das competências laborais no futuro”, não sendo diferente no caso do jornalismo, perspectiva que renova o seu otimismo, juntamente com as estatísticas que indicam o aumento da presença de jovens italianos nas salas de cinema.

A questão climática também foi discutida pela ótica da gastronomia. Diante de muitos desafios cotidianos, a chefe de cozinha Chiara Pavan relatou os esforços para garantir a sustentabilidade do restaurante onde atua, em Veneza, reconhecido em 2020 com a Estrela Michelin Verde pelo projeto denominado de cozinha ambiental. Essa cidade que encanta turistas do mundo inteiro, segundo ela, representa uma espécie de laboratório a céu aberto sobre os efeitos causados pelas mudanças climáticas. Como exemplo, foi mencionado o aumento da salinidade do solo que prejudica a produção agrícola. Essa preocupação se soma ao avanço da presença de espécies invasoras, dentre as quais, o caranguejo conhecido como granchio blue (Callinectes sapidus) que vem impactando as atividades pesqueiras em áreas lagunares venezianas.
Para enfrentar esse cenário, a disseminação de informação para o combate ao desperdício dentro do estabelecimento e junto à rede de fornecedores tem sido considerada fundamental. Foram mencionados, ainda, o fortalecimento da economia de proximidade, contemplando produtores locais, bem como o respeito à sazonalidade dos produtos, além do total aproveitamento de todos os tipos de alimentos, com inovações nas receitas e técnicas de conservação. Nesse contexto, não se perdem nem mesmo espécies como a do caranguejo invasor. Elas entram no cardápio.
A jornalista costarriquenha Milena Fernández conhece de perto os desafios socioambientais de Veneza, onde está radicada há mais de duas décadas, colaborando como correspondente do jornal espanhol El País. Em um painel de jornalistas ambientais, ela destacou como a chamada água alta tem sido impactada pela crise climática. Esse é um dos fenômenos naturais mais conhecidos da cidade, ditado pelo movimento de equilíbrio das marés que inundam as suas ruas e vielas anualmente, combinado com fatores meteorológicos. Em tempos de transformações globais, ditadas pelo avanço do nível do mar, o resultado têm sido os recordes de elevação das águas. O mais preocupante ocorreu em novembro de 2019, quando a inundação atingiu 1 metro e 87 centímetros, causando morte e o alagamento de 85% da cidade. No seu debate ela pontuou: “A água é a beleza e a condenação de Veneza”.
As soluções para o enfrentamento do cenário veneziano, frente ao panorama climático de elevação do nível do mar, não são simples. O Projeto Moisés (Módulo Experimental Eletromecânico), uma ambiciosa obra de engenharia para a construção de diques de proteção da cidade das altas das marés, tem estado presente na sua produção jornalística ao longo de anos, justamente pelas controvérsias que vem suscitando. Nesse contexto, se destacam os seus impactos ambientais e a incapacidade de resolução do problema, segundo especialistas têm opinado nas suas reportagens. Mesmo diante de tantos desafios e incertezas, a sua cobertura também tem buscado apontar soluções para a cidade que escolheu e aprendeu a amar como lar.
Em outro continente, o jornalista e ativista estadunidense, Bart Everson, também conhece bem o que representam os efeitos das mudanças climáticas e das transformações ambientais causadas pela expansão urbana. Ele vive em Nova Orleans, cidade dos Estados Unidos berço de expressões musicais que conquistaram o mundo, como o blues, e também marcada pela tragédia causada pela passagem do furacão Katrina, que há 20 anos provocou perdas humanas e materiais inestimáveis. Everson encontrou na música, uma forma de comunicar e engajar a sociedade sobre a importância de cuidar da natureza e de sentir-se parte integrante dela, sobretudo, diante da necessidade de reinvenção pós-crise. Pelas ondas do Earth Eclectic Radio Hour, programa musical semanal de uma hora, ele busca disseminar a sensibilização ecológica e evidenciar como esse cuidado planetário também tem vinculações profundas com o equilíbrio espiritual humano, cada vez mais necessário ao enfrentamento de um mundo em crise.
Na sua apresentação e nas conversas com os colegas jornalistas durante o evento, Everson destacou a importância de saber dos ouvintes quais são as músicas que tocam as suas emoções ao falar de natureza e da relação humana com os ecossistemas do planeta. Em um desses momentos de interação ele me falou da admiração por Tom Jobim e do seu encantamento por Águas de Março, quando comentei que muito da discografia do nosso maestro foi inspirada pela sua paixão pela natureza do Brasil. Como obra tocante e atemporal sobre o compromisso cidadão de cuidar do ambiente onde vivemos, sugeri que ele ouvisse O Sal da Terra, de Beto Guedes, destacando, resumidamente, que essa composição também representa um convite inspirador ao engajamento ecológico.

Amplamente presentes nos noticiários, mundo afora, os efeitos gerados pelas mudanças climáticas já estão causando ecoansiedade em jovens italianos. Pelos resultados de um estudo pioneiro liderado pelo pesquisador Krzysztof Szadejko, no âmbito do Instituto de Altos Estudos de Ciências Educacionais Giuseppe Toniolo, localizado em Modena, no norte da Itália, de um universo de 3.607 entrevistados, com idades entre 19 e 35 anos, um total de 2.878 (79,8%) revelou que já enfrentou eventos climáticos extremos. Por outro lado, 1.984 (41%) relataram que já sentem impactos psicológicos negativos diante desse problema global. Nesse contexto, 19% sentem raiva e frustração e 14% expressam tristeza diante da indiferença familiar e de outros grupos sociais sobre o tema.
Ao mencionar os principais resultados do estudo que está prestes a ser publicado em uma revista especializada, o pesquisador destacou que foram percebidos sentimentos que variam desde a perda de visão de futuro, até o compartilhamento de esperança por uma parte menor do universo pesquisado. Nesse sentido, há quem tenha revelado que inclusive já mudou hábitos de consumo (17%), optando, por exemplo, pelo vegetarianismo. Para Szadejko, uma questão crucial que precisa ser discutida pela sociedade envolve a necessidade de cobrança de empresas multinacionais pelos danos ambientais que têm provocado globalmente e que repercutem no agravamento da crise climática.
O pesquisador também afirmou ter-se sentido feliz diante de tantos jornalistas ambientais presentes no Fórum Internacional de Treviso, pois considera que a disseminação de informação qualificada tem grande poder de transformação de realidades. Ele opinou, também, que os jornalistas podem exigir respostas dos políticos e gestores públicos diante da situação de agravamento da crise climática e defendeu, ainda, a necessidade de ampliar o estudo para contemplar jovens de outros ambientes globais a fim de fortalecer estratégias de enfrentamento dos seus potenciais sintomas de ecoansiedade.
Soluções inovadoras para os desafios urbanos
No âmbito dos debates sobre a importância de adaptar as cidades do mundo para o enfrentamento das mudanças climáticas, a experiência da cidade espanhola de Granada foi apresentada pela conselheira de Mobilidade, Proteção Cidadã, Sustentabilidade e Agenda Urbana, Ana Agudo. Ela relatou que dentro do projeto ambicioso para tornar a localidade mais resiliente, a municipalidade tem investido na renaturalização de rios, na restauração florestal e na descarbonização, principalmente, em termos de mobilidade urbana.
A conexão de áreas antes marginalizadas, por meio de infraestrutura cultural, foi apontada pela conselheira como como uma das iniciativas-chave para a melhoria da qualidade de vida da cidade, que tem como bandeira tornar-se capital cultural no cenário da União Europeia em 2031. A criação de um campus de sustentabilidade e economia criativa em uma antiga fábrica e de um distrito zero carbono, de múltiplos usos, aproveitando a estrutura de uma linha férrea desativada foram exemplos destacados sobre os esforços para atrair novos investimentos verdes e promover diálogos locais.
Com o mesmo enfoque em descarbonização, fortalecimento das conexões sociais e melhoria da qualidade de vida, o bioarquiteto Martin Haas, apresentou a experiência do projeto Repensando os Espaços Urbanos que vem desenvolvendo em Stuttgart, na Alemanha. Entre outros objetivos, essa iniciativa tem buscado atuar pelo impulsionamento da cultura de compartilhamento de instalações físicas e de ampliação de redes locais para a construção civil, fortalecendo, assim, os vínculos humanos e o intercâmbio de ideias criativas para um futuro de mais diálogo e proximidade.
No enfrentamento dos desafios urbanos, também foram inúmeras as manifestações de confiança no potencial das artes para gerar sensibilização da sociedade, em relação ao cenário de crise socioambiental e suas possíveis soluções. A arquiteta Serena Pellegrino associou a beleza à prosperidade. Na sua apresentação, ela defendeu a urgência de reconexão da sociedade com a natureza para que haja avanço na sua proteção. “O futuro pode ser belo. Depende de nós”, afirma a especialista, confiante ainda no papel dos comunicadores e dos educadores nesse processo.

A geógrafa e artista Margherita Michelazzo seguiu pelo mesmo caminho, ao contar, sobre a “beleza violada” pelo furacão Vaia e seus impactos de múltiplas dimensões. O fenômeno atingiu o norte da Itália, em 2018, deixando um rastro de destruição com 15 milhões de árvores derrubadas pela velocidade dos ventos de até 200 quilômetros por hora, sobretudo, na região do Vêneto. A tragédia e suas consequências representaram também uma oportunidade de apresentar ao mundo um convite à responsabilidade de cuidar dos ecossistemas que resistem aos impactos humanos e de recuperar o que já foi degradado. Essa mensagem ela levou mundo afora com a instalação artística Pigafetta Pingüinos, que se apresentou em cenários globais como Dubai, nos Emirados Árabes; Sevilha, na Espanha; e Santiago, no Chile, para além de sua difusão em cidades italianas.
A artista utilizou paineis certificados de restos de madeira de florestas devastadas pelo furacão, além de outros materiais reciclados para a criação, como forma de chamar a atenção do mundo sobre a necessidade de proteção da biodiversidade, destacando os pinguins como símbolos da adaptação à mudança. “Criados para voar, eles aprenderam a nadar”, reforça a artista na apresentação dessa instalação que também buscou comunicar que, diante do risco de extinção, a espécie convoca a humanidade a trilhar outros caminhos.
Otimista, ela fala da importância de comunicar a beleza da natureza e de sonhar com um mundo melhor a partir da responsabilidade compartilhada com os destinos do planeta. “Não vamos amar o mundo e a natureza sem conhecê-los”, afirma ao reconhecer a importância fundamental do jornalismo nesse processo de sensibilização da sociedade.
Na luta por um mundo mais humano e igualitário, Gloria Zavatta, diretora de Sustentabilidade e Impacto dos Jogos Olímpicos de Inverno Milano-Cortina 2026, expressou a importância do papel de liderança das mulheres. Para além dos expressivos resultados de ecoeficiência alcançados, ao apresentar a experiência exitosa envolvendo a realização desse grande evento esportivo internacional ela relatou, orgulhosamente, que a edição deste ano teve o melhor balanço de gênero da sua história, contemplando 47% de atletas femininas nas competições.
Quanto ao engajamento em ações pela sustentabilidade e pela igualdade de oportunidades, a Câmara de Comércio Treviso-Belluno, sede do Fórum Internacional organizado pela Greenaccord e instituições parceiras, também se orgulha de ser a primeira da Itália a alcançar a paridade de gênero certificada nos seus quadros profissionais. O destaque para essa conquista pode ser observado em um painel na entrada do prédio, no centro da cidade de Treviso, onde a zona urbana é cercadas por áreas verdes e canais de águas transparentes que conectam no cotidiano diferentes espécies da biodiversidade regional com pessoas que caminham, praticam esportes, leem ou desfrutam, ao ar livre, da reconhecida qualidade de vida local.
O jornalismo ambiental importa e deve ser valorizado pela sociedade, defendem especialistas
Frente aos limites dos ecossistemas planetários, a transição ecológica representa um desafio global que precisa ser reconhecido como uma responsabilidade de todos os segmentos sociais. Nesse cenário, o jornalismo ambiental atua como indutor de reflexões sobre as principais conexões entre os grandes problemas e as potenciais soluções para o mundo em crise. Nessa perspectiva, ainda que seus profissionais sejam fundamentais para a promoção do diálogo e da sensibilização pública, eles precisam, em grande medida, ser apoiados e protegidos dos perigos aos quais estão expostos pelas pautas que levam a cabo e que tendem a contrariar inúmeros interesses.
Os perigos enfrentados no cotidiano da produção de informação foram contextualizados pelo jornalista mexicano Miguel Ángel de Alba González. Diante de muitos interesses econômicos e políticos envolvidos nas dinâmicas sociais do seu país – cenário com ampla ressonância em realidades como a do Brasil – muitas das histórias que precisam chegar ao público deixam de ser contadas ou ganham repercussão tardiamente. “E quando não são contadas, as decisões são tomadas sem informação pública”, adverte.
Assim como ocorre no Brasil e em outros países do mundo, o jornalismo representa uma profissão de risco, sobretudo, quando envolve cobertura de temas socioambientais. Segundo pontuou, investigar temas como mineração, desmatamento ilegal ou pesca clandestina implica enfrentar o crime organizado, interesses econômicos e pressões políticas. Soma-se a isso, o avanço das estratégias de disseminação de desinformação, a vigilância digital e o enfraquecimento dos mecanismos de proteção da profissão e de seus profissionais.
Na sua análise, contribuem como saídas para o exercício jornalístico, novas ferramentas tecnológicas, dentre as quais, o jornalismo de dados e o acesso a imagens de satélite, além da realização de investigações colaborativas e transfronteiriças e do avanço de plataformas digitais independentes que reúnem profissionais especializados. “Uma sociedade pode enfrentar a crise ecológica sem um jornalismo ambiental sólido?”, questiona o experiente jornalista. Sua resposta é contundente: “não pode”.

A relevância do jornalismo ambiental e a necessidade de apoiar os seus profissionais foram destacadas pelo presidente da Greenaccord, Alfonso Cauteruccio, nas suas participações nos debates e nas interações com os jornalistas. Para ele, esses e outros comunicadores desempenham um papel fundamental no enfrentamento do fenômeno da desinformação, na difusão de uma visão contextualizada e aprofundada dos problemas que envolvem a crise ambiental e na promoção da busca de soluções, a partir da mediação do diálogo com diferentes atores sociais. Justamente por esse reconhecimento, foi criada, por intermédio da Greenaccord, em 2003, uma rede internacional de jornalistas que tem se reunido periodicamente, desde então, para compartilhar preocupações comuns e apontar caminhos rumo à transição ecológica, tendo o acesso à informação qualificada como elemento central a ser impulsionado.
Já está definido que o próximo encontro dessa rede e seus parceiros será realizado em 2027, no Colorado, Estados Unidos, com intuito de fortalecer conexões institucionais que já têm dialogado e contribuído com a organização italiana, inclusive para a realização do Fórum Internacional de Treviso. A rede Covering Climate Now, representada no evento italiano pelo jornalista Santiago Sáez Moreno, é parte dessa mobilização conjunta, uma vez que tem se empenhado para fortalecer uma cobertura cada vez mais contextualizada e humanizada da crise climática, sobretudo, por estratégias diferenciadas de storytelling.
Por essa forma de atuação, Moreno recebeu em nome da organização um reconhecimento da Greenaccord no painel de encerramento do evento que discutiu os desafios do jornalismo ambiental, moderado pela jornalista costarriquenha, Katiana Murillo Aguilar, fundadora e diretora da Rede de Comunicação sobre Mudanças Climáticas (LatinClima).
Esse painel contou com a participação de jornalistas que apresentaram perspectivas do jornalismo ambiental em diferentes países, incluindo a contribuição do experiente jornalista e escritor atuante em Nova York, Jonathan Cobb. Ele abordou o contexto da desinformação ressaltando, na sua apresentação, como a sociedade estadunidense tem sido impactada pela disseminação de notícias falsas cujo intuito envolve, principalmente, a negação da crise climática. O cenário que não difere de realidades de outros países, dentre os quais, o Brasil, tem contribuído ainda para o avanço da polarização política sob os auspícios do presidente Donald Trump.
Em cenários de vulnerabilidade aos efeitos da crise climática, um dos enfoques apresentados no painel foi o dos impactos ambientais e humanos da guerra enfrentada pela população do Iraque pelo olhar sensível das jornalistas Defne Marcan Hocaoglu e Amel Saleh da IINA (Agência de Notícias Internacionais do Iraque). Já a jornalista Rosalie Sophie Nke, da rede televisiva CRTV da República dos Camarões, destacou as potencialidades do seu país, sobretudo, em relação às belezas naturais e à diversidade cultural. No entanto, ela pontuou que um dos principais problemas enfrentados pela população camaronesa mais pobre envolve a escassez hídrica. Esse panorama tende a se agravar no futuro e, por isso, demanda o papel dos comunicadores para o exercício de cobrança de soluções junto aos gestores e outros agentes públicos e privados.
Para a moderadora do painel, assim como para outros integrantes desse debate, diante de tantos desafios cotidianos, o fortalecimento da esperança dos jornalistas ambientais para seguirem reportando a realidade de cenários de crises multidimensionais pode vir do diálogo entre redes de especialistas, sobretudo, quando isso ocorre presencialmente. Nesse sentido, o compartilhamento de ideias, informações e conhecimentos, possibilitado pelo Fórum Internacional de Treviso, foi mencionado como um momento inspirador de impulsionamento e mobilização, onde não faltaram motivações para sonhar com cenários mais promissores para a humanidade e para a própria profissão.
Para o secretário-geral da Greenaccord, Giuseppe Milano, que celebrou o sucesso do Fórum Internacional de Treviso, é inquestionável a necessidade de uma informação ambiental cada vez mais séria e rigorosa, diante tanto das fragilidade do planeta como da própria vulnerabilidade humana em um cenário de crise multifacetada. Fomentar o diálogo intergeracional e a fraternidade entre os povos tenderá a ser cada vez mais fundamental, já que as soluções necessárias demandam muitos braços dispostos a atuar conjuntamente. Para tanto, a contribuição dos jornalistas ambientais foi destacada como essencial à construção de pontes entre um presente e um futuro mais humano, justo e inclusivo.
Por intermédio de religiosos que participaram do Fórum Internacional de Treviso, o Papa Leão XIV enviou uma mensagem de confiança e motivação para os jornalistas participantes do evento, defendendo que esses profissionais consigam ir além da tradução e disseminação de dados técnicos. Em seu pedido, o pontífice estimulou os comunicadores a promoverem um movimento capaz de envolver corações e mentes mundo afora, além de gerar transformações que fortaleçam estilos de vida mais sustentáveis e práticas comunitárias duradouras. As palavras ressaltaram o legado da encíclica Laudato Si, liderada pelo Papa Francisco, sob inspiração da perspectiva de ecologia integral, reconhecida como fundamental, nesse contexto, para orientar o mundo rumo a uma nova ordem humanística de cuidado com o planeta, considerado espaço de comunhão global e, portanto, como Casa Comum.
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