O governo lançou hoje um primeiro balanço sobre qualidade e uso das águas no Brasil. Os dados deveriam preocupar a todos, especialmente os arquitetos do desenvolvimento nacional. Em pouco mais de duzentas páginas, ficou confirmada a grande sede da agricultura, especialmente da irrigação. A Agência Nacional de Águas acredita que 4,6 milhões de hectares sejam irrigados atualmente, representando um crescimento de 50% em relação aos 3,1 milhões de hectares registrados em 1996. A atividade ainda usa majoritariamente os chamados pivôs centrais, que provocam grande desperdício do recurso natural.
Dados da Federação de Agricultura e Pecuária de Goiás mostram que há quase 2.500 pivôs espalhados no estado. O município de Cristalina, próximo ao Distrito Federal, é o campeão, com mais de quinhentos deles. Conforme o governo, o Brasil detém pouco mais de 1% da área irrigada no mundo – de 277 milhões de hectares, em 2002. Com tanta irrigação dispendiosa, responsável também por boa parte do PIB tupiniquim, o bombeamento de água para esse e outros usos cresceu 16% desde 2000, passando de 1.592m³/s para 1.841m³/s. Irrigação possui a maior parcela retirada, cerca de 47%. O restante fica com abastecimento urbano (26%), indústria (17%), dessedentação animal (8%) e abastecimento rural (2%).
O estudo oficial ressalta que vários rios no Nordeste e Sudeste estão em situação crítica ou muito crítica quando se fala em oferta e demanda de água. Reflexo direto ou indireto no fato de que a quantidade de água armazenada vem caindo em estados nordestinos como Piauí, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia entre 2006 e 2007. Nessas regiões, o clima do semi-árido faz estragos.
Dos 5.564 municípios brasileiros, 788 decretaram situação de emergência por estiagem ou seca em 2007, enquanto que 176 decretaram devido a enchentes, inundações ou alagamentos.
O balanço governista também mostra que a geração hidrelétrica (com barragens) cresceu pouco mais de 4% entre 2006 e 2007, chegando a 76,76 Megawatts (MW), somando pequenas e grandes centrais hidrelétricas, ou 76,5% da capacidade instalada para produção de eletricidade no país.
A partir da semana que chega, o material estará disponível em www.ana.gov.br.
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