Salada Verde

Mudanças climáticas ameaçam praias brasileiras

Em reunião da SBPC, pesquisador da UFRJ mostra evidências de que o aumento no nível do mar deve obrigar medidas de emergência para salvar faixas de areia de nosso litoral.

Redação ((o))eco ·
27 de julho de 2010 · 16 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

Praia da Macumba – 2007


2009

Natal –  As paisagens das praias brasileiras podem sofrer mudanças significativas com as mudanças climáticas. A maior freqüência de tempestades e a elevação do nível do mar são capazes de transportar imensas quantidades de sedimentos, fazendo com que a faixa de areia se reduza e até desapareça em alguns casos, como explica o pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Dieter Muehe.

Em apresentação durante a 62a reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que ocorre até sexta feita em Natal (RN), Muehe mostrou simulações que sugerem que “com as mudanças climáticas, além da elevação do nível do mar, haverá uma intensificação da freqüência de tempestades excepcionais”.

“Então a linha de costa tende a recuar por erosão, mas a praia, quando existe, fica entre o mar e continente, então vai depender se ela tem sedimentos suficientes. Se tiver, cria uma nova praia em posição mais interiorizada, mas se faltar sedimentos ela não tem como se manter, então ela desaparece e a erosão fica mais acentuada, porque não tem mais aquela proteção”, disse ao apresentar exemplos como a praia da Macumba no Rio (veja fotos ao lado).

Segundo o pesquisador, uma solução seria a reposição da areia nas praias. A técnica é cara, mas já foi aplicada na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, além de cidades como Fortaleza e Vitória. “Nas praias urbanas, que é onde os prejuízos em termos de erosão costeira são mais intensos pela perda de propriedade, você pode tirar areia de um canto com características semelhantes e recolocar e formar uma praia artificial. Uma das fontes é a plataforma continental, a uma profundidade maior que 10 metros, mas também não muito profundo, porque começa a ter muita lama junto, carbonato.”, explicou.

Dieter Muehe considera a formação de praias artificiais uma solução mais adequada do que obras para a contenção do mar. Mas ele lembra que em alguns lugares isso não é possível. Na cidade do Recife, por exemplo, a erosão costeira é um problema crítico. Estudos da Universidade Federal de Pernambuco indicam que, na última década, a praia de Boa Viagem perdeu 20 metros de faixa de areia. Mas a região apresenta um déficit de sedimentos, o que inviabiliza a reposição da areia. Para conter as águas, foi adotada então uma outra técnica, conhecida como enrocamento, que é uma estrutura de pedra erguida de forma paralela à praia.

Para o pesquisador da UFRJ, as diferenças entre cada realidade alertam para a necessidade de se aprofundar os estudos na área. É necessário conhecer melhor quais são as fontes de sedimentos naturais, onde existem jazidas que podem ser exploradas, alem de saber se é mesmo viável manter uma praia artificialmente.
(por Mônica Montenegro. Editora do Programa Salão Verde da Rádio Câmara e está em Natal fazendo cobertura da 62a reunião da SBPC)

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Colunas
13 de março de 2026

Quem são os atingidos por desastres?

Há mais de dez anos desde o rompimento da barragem em Mariana, em Minas Gerais (MG), faltam informações e sobram consequências

Notícias
13 de março de 2026

Nascimento de filhote de harpia em reserva da Bahia é comemorado pela Ciência

Desde 2018 não eram registrados nascimentos na unidade. Filhote ativo no Corredor Central da Mata Atlântica é passo importante para evitar extinção

Salada Verde
13 de março de 2026

Em homenagem ao cão Orelha, governo aumenta multa para quem maltrata animais

Novo decreto amplia de R$500 para R$ 1.500 valor da multa mínima em caso de maus tratos aos animais. Governo também estabeleceu a criação da Conferência Nacional de Direitos Animais

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.