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Norte e Nordeste no rumo do aquecimento

Pesquisa prevê cenário sombrio para Norte e Nordeste caso as mudanças climáticas sejam acentuadas. Preservação de 1 hectare de floresta custa 450 dólares.

Redação ((o))eco ·
23 de setembro de 2010 · 15 anos atrás
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Caso as mudanças climáticas se agravem ainda mais nas próximas décadas o resultado será traumático para as diversas regiões do Brasil, com ênfase para o Norte e Nordeste. Neste cenário, a produção de alimentos será profundamente afetada, assim como a qualidade e quantidade da água. Este é o resumo da quarta edição do Boletim Regional, Urbano e Ambiental, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) nesta quarta-feira e cujo tema é o aquecimento global.

De acordo com o documento, é possível que, em 2100, as temperaturas nas regiões Norte e Nordeste do país sofram um acréscimo, em média, de 8º graus Celsius em virtude do desmatamento. O texto lembra, no entanto, que com 450 dólares é possível conservar um hectare de floresta, responsável por seqüestrar carbono da atmosfera. Com estes valores, cerca de 80% da cadeia de desmatamento poderiam ser interrompidos. Mas esta não é a única solução, como explica Mariana Pavan, coordenadora do programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam).

“É necessário que os países, especialmente os industrializados, aumentem seus compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa. No caso do Brasil, temos diversas oportunidades positivas, como a adoção de fontes renováveis de energia e mecanismos de incentivo à redução do desmatamento, que contribuem para a questão climática trazendo também benefícios econômicos. Ainda, é preciso planejar e implementar ações que permitam que estas regiões mais vulneráveis possam se adaptar a estas mudanças, visando assim amenizar o impacto negativo sobre estas”, diz.

O próprio IPEA indica outros caminhos para evitar, desde já, um futuro mais sombrio. O uso de combustíveis alternativos pode reduzir as emissões de carbono em quase um bilhão de toneladas em 2035 e não aumentaria o risco de derrubada de árvores na Amazônia, justamente por manter as áreas de culturas de subsistência. O REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) é outra solução apontada por Pavan, que acredita ser uma oportunidade econômica, não apenas ambiental, adotar padrões de desenvolvimento menos poluentes.

“Além dos benefícios em termos de clima, a Amazônia tem inúmeros outros papéis fundamentais; dentre eles, a regulação do ciclo hidrológico e a produção de chuva em regiões de produção agropecuária, como o Centro-Oeste, que também tem impacto direto na economia do país”, finaliza.

Leia o relatório completo aqui.

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