![]() |
Está marcada para o dia 7 de outubro a audiência pública que vai discutir as propostas de criação de uma unidade de conservação no município de Bertioga, em São Paulo. A ideia mais aceita, até agora, é a proteção integral de uma área de 80,25 quilômetros quadrados, no que seria o futuro Parque Estadual Restinga de Bertioga, além da composição de um mosaico de áreas protegidas no entorno. Enquanto o processo não chega a um parecer final, ninguém mexe na área em discussão, intocável sob decreto de limitação administrativa provisória.
Até o momento, cinco reuniões presenciais foram realizadas na prefeitura, com participação da Fundação Florestal (órgão do governo que será responsável pela unidade, caso seja criada), membros do poder público, pesquisadores e sociedade civil. Entre os argumentos de defesa do parque está o fato de a representatividade de restingas dentro das unidades de conservação paulistas ser muito baixa.
“A faixa litorânea do polígono, entre a estrada (Rio-Santos) e o mar, é a mais polêmica. Elas possuem grande valor comercial para empreendimentos imobiliários. Ao mesmo tempo, possuem riqueza biológica e são fundamentais no fluxo hídrico que vem da Serra do Mar para o mar. Temos ali duas áreas de mangue, e a sua manutenção é fundamental. E nesta área litoral também encontra-se a tipologia mais ameaçada de restinga do Brasil, não apenas de São Paulo. Não há como criar uma unidade de conservação de restinga sem preservar a área mais expressiva desse ecossistema associado à Mata Atlântica”, avalia Luciana Simões, coordenadora do Programa Mata Atlântica do WWF-Brasil, ONG parceira no projeto.
Importante para a conservação das aves de acordo com a Birdlife International, a região que pode abrigar a unidade tem 44 espécies da flora ameaçadas de extinção, assim como 66 tipos de aves em risco. Trata-se de um terreno com alta fragilidade e baixa capacidade de resiliência (recuperação natural). Já os solos de mangue, ricos em nutrientes, são fundamentais para a vida marinha. A ocupação antrópica é o maior inimigo do parque estadual.
Leia também
Governo suspende licitação de dragagem no Tapajós após mobilizações indígenas em Santarém
Após protestos em Santarém, governo suspende pregão de dragagem e promete consulta a povos indígenas do Tapajós →
Fotógrafo brasileiro vence prêmio internacional com ensaio sobre água e identidade
João Alberes, de 23 anos, conquista espaço no ambiente da fotografia documental, e projeta o agreste pernambucano como território de produção artística contemporânea →
Pela 1ª vez, ICMBio flagra onça pintada caçando em unidade do Acre
Registro foi feito às margens do Rio Acre, em uma das áreas mais protegidas da Amazônia. Onça tentava predar um porco-do-mato perto da base do Instituto →





