Salada Verde

Com apoio internacional, Brasil pretende investir R$ 27 bilhões na transição ecológica

Iniciativa visa captar recursos estrangeiros e garantir proteção cambial a projetos privados voltados para a transformação energética e ecológica no Brasil

Cristiane Prizibisczki ·
26 de fevereiro de 2024 · 1 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

O governo brasileiro anunciou nesta segunda-feira (26) o lançamento de um programa que visa destinar R$27 bilhões a investimentos privados voltados para projetos de transição sustentável. 

Chamado de Programa de Mobilização de Capital Privado Externo e Proteção Cambial – Eco Invest Brasil, a iniciativa foi elaborada a partir de uma parceria entre Ministério da Fazenda brasileiro, Banco Central, e com recursos e apoio técnico do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Mundial.

O Eco Invest Brasil tem como objetivo incentivar investimentos estrangeiros em projetos sustentáveis e oferecer soluções de proteção cambial, para que os riscos associados à volatilidade do câmbio sejam reduzidos.

“O desafio da transformação ecológica que o Brasil e o mundo precisam não acontecerá se tivermos apenas o polo dos investimentos públicos. Teremos que ter a junção com investimentos privados, é isso que vai fazer a diferença. Se fizermos a correta integração entre esforço dos setores público e do privado, podemos fazer a diferença numa agenda que é estratégica ao equilíbrio do planeta e manutenção da vida”, disse a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante lançamento da iniciativa.

Fundo Clima

Além do lançamento do Eco Investe Brasil, BID e Banco Mundial também anunciaram investimentos no Fundo Clima, mecanismo financeiro brasileiro que disponibiliza recursos reembolsáveis e não-reembolsáveis para projetos, estudos e empreendimentos que visem à redução de emissões de gases estufa no país e aos efeitos das mudanças no clima.

O BID anunciou linha de crédito de cerca de R$ 10 bilhões e apoio técnico ao Fundo Clima. Já o Banco Mundial estuda a alocação de cerca de R$ 5 bilhões ao mecanismo, para financiamento de ações de proteção a florestas, cidades verdes e resilientes e gestão de resíduos sólidos.

Esvaziado durante o governo Bolsonaro, o o Fundo Clima foi retomado em 2023 com o aporte de R$ 630 milhões para financiar projetos de mitigação e adaptação à crise climática. 

Este ano, estão garantidos pelo menos R$ 10,4 bilhões com a emissão de títulos verdes pelo governo federal. O Fundo Clima é coordenado pelo MMA, e sua modalidade reembolsável é gerida pelo BNDES.

  • Cristiane Prizibisczki

    Jornalista com quase 20 anos de experiência na cobertura de temas como conservação, biodiversidade, política ambiental e mudanças climáticas. Já escreveu para UOL, Editora Abril, Editora Globo e Ecosystem Marketplace e desde 2006 colabora com ((o))eco. Adora ser a voz dos bichos e das plantas.

Leia também

Salada Verde
24 de outubro de 2023

Publicado novo regimento do Comitê Gestor do Fundo Clima

Modificado em 2019, durante a gestão de Ricardo Salles, colegiado foi paralisado e esvaziado. Documento assinado nesta terça-feira disciplina funcionamento do grupo

Reportagens
26 de abril de 2022

Governo Bolsonaro esvazia o caixa do Fundo Clima

Orçamento dos recursos não reembolsáveis desaba para pouco mais de 500 mil reais, e nenhuma chamada pública para novos projetos é lançada desde a posse do atual presidente, em 2019

Notícias
13 de abril de 2023

Em 2022, bancos investiram U$673 bi na exploração de combustíveis fósseis

Desde a adoção do Acordo de Paris, que visa limitar emissões, as 60 maiores instituições financeiras do mundo injetaram U$ 5,5 trilhões em empresas do ramo

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.