Salada Verde

Galeria: Mais antiga Reserva Biológica do país, Poço das Antas completa 52 anos

Lar do mico-leão-dourado, Unidade de Conservação localizada no Rio de Janeiro é habitat de oito espécies em extinção; Rebio foi criada durante a Ditadura

Redação ((o))eco ·
11 de março de 2026
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

Primeira Reserva Biológica Federal do país, Poço das Antas completa 52 anos nesta quarta-feira (11). Localizada no município de Silva Jardim, a cerca de 120 quilômetros da capital fluminense, a área é um dos principais refúgios de biodiversidade da Mata Atlântica e abriga espécies raras e ameaçadas de extinção.

Criada em 1974, a reserva tornou-se símbolo dos esforços de conservação no país, especialmente pela proteção do mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) e da também ameaçada preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus), além de concentrar a maior área remanescente de Mata Atlântica de baixada no estado.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



A criação da reserva foi impulsionada pelo trabalho do primatólogo Adelmar Coimbra Filho e do ambientalista Alceo Magnanini, que defendiam a proteção da área como estratégia para evitar a extinção do primata símbolo da Mata Atlântica. Na época, se considerava que existiam apenas 200 micos-leões-dourados na natureza. A unidade foi uma das criadas pelo trabalho da engenheira agrônoma Maria Tereza Jorge-Pádua, que comandou o antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal.

Leia também: Maria Tereza Jorge Pádua, a mulher que criou 8 milhões de hectares em áreas protegidas no Brasil

Os cerca de 5 mil hectares de Mata Atlântica da reserva são uma ilha verde em meio a pastos e fazendas. A unidade atualmente protege oito espécies ameaçadas e integra um conjunto de áreas fundamentais para a recuperação da fauna e flora da região. Levantamentos registram mais de 365 espécies de plantas no território protegido, o que reforça sua importância para a manutenção da biodiversidade da região.

Segundo Gisela Carvalho, chefe do do Núcleo de Gestão Integrada Mico-leão-dourado, é preciso celebrar e continuar o trabalho de proteger esse pedacinho de Mata Atlântica: “Continuar cuidando da natureza com as pessoas, dialogar e trocar experiências com as comunidades do entorno, preservar as árvores nativas, ampliar o plantio de espécies da Mata Atlântica, coibir o tráfico de animais e a caça, promover visitação com objetivos educacionais são algumas das nossas conquistas e desafios”, ressalta.

A área protegida ocupa 5 mil hectares de Mata Atlântica de baixada, um dos ambientes mais ameaçados do bioma. Foto: Mehgan Murphy
A unidade também protege o habitat da também ameaçada preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus). Foto: Breno Tardin.
Endêmica do Rio de Janeiro, a borboleta-da-praia (Parides ascanius), também conhecida como borboleta-da-restinga, é uma espécie em perigo de extinção. Foto: Breno Tardin
A principal motivação para a criação da UC: proteger o mico-leão-dourado. Foto: Breno Tardin
Feliz aniversário, Poço das Antas.Foto: Mehgan Murphy

*Atualizado às 12h do dia 12 de março de 2025 para acrescentar que Poço das Antas é a primeira Rebio Federal.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Reportagens
8 de março de 2022

Quatro micos e um bioma: a luta pela conservação dos micos-leões da Mata Atlântica

Pequenos, carismáticos e ameaçados, os micos-leões são espécies que ocorrem apenas na Mata Atlântica, e lutam por espaço e conexão no bioma mais desmatado e fragmentado do país

Reportagens
15 de janeiro de 2024

Maria Tereza Jorge Pádua, a mulher que criou 8 milhões de hectares em áreas protegidas no Brasil

Com uma vida dedicada à conservação da natureza, Maria Tereza Jorge Pádua, a “mãe dos parques nacionais”, fala sobre sua carreira, conquistas e o Brasil que deseja

Reportagens
25 de novembro de 2020

Pesquisadores iniciam vacinação contra febre amarela em mico-leão-dourado

Iniciativa pioneira faz parte de estudo experimental com duração de três anos e irá vacinar entre 500 e 1.000 micos. Espécie perdeu 32% da população no último surto da doença

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.