Uma pesquisa inédita revelou a presença de uma espécie de orquídea ainda não identificada no litoral do Paraná. O achado foi conduzido por pesquisadores do Mater Natura (Instituto de Estudos Ambientais).
A descoberta ocorreu durante expedição ao Parque Nacional Saint-Hilaire/Lange (PNHSHL), que abrange os municípios de Matinhos, Guaratuba, Morretes e Paranaguá. A ação faz parte do Projeto Estudos da Restauração – Pesquisa, Estruturação e Planejamento, financiado pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP) junto ao Mater Natura. A chamada para os projetos de estudo teve início em abril de 2024, e foi executada no ano passado.
Em maio, durante um trabalho de campo no Parque Nacional Saint-Hilaire/Lange, nas proximidades do Salto do Tigre, em Matinhos, pesquisadores encontraram a espécie de orquídea Bulbophyllum campos-portoi Brade. Esta planta é endêmica da Mata Atlântica, e conhecida até então somente nos estados da região sudeste do país. Seu gênero, Bulbophyllum, é um dos mais diversos dentre as orquídeas, tendo 60 identificadas pelo Brasil e 17 delas na região sul.

A espécie possui flores verdes e labelo castanho, com pontuações púrpuras que a destacam em relação a outras espécies do gênero. Normalmente é encontrada em regiões com altitude entre 600 e 1200 metros, e seu status de conservação se encontra como Menos Preocupante (LC). Seu registro no litoral paranaense fugiu um pouco de tais características, pois a espécie foi descoberta em área do parque conhecida como Salto do Tigre, a cerca de 120 metros de altitude.
O engenheiro florestal Daniel Zambiazzi Miller, coordenador da pesquisa no Mater Natura, afirma que o registro inédito da orquídea representa um avanço significativo para a ciência. “Esse trabalho amplia significativamente o conhecimento sobre a flora regional e fornece informações inéditas sobre a distribuição de espécies. Até o momento, além da Bulbophyllum campos-portoi, foram mapeados outros dois novos registros para o estado, com artigos científicos em fase de elaboração”, explica.”
O Projeto Estudos da Restauração tem como objetivo central fortalecer as Unidades de Conservação (UCs) na região. Para isso, inclui diferentes frentes de pesquisa e conservação, a exemplo de levantamento florístico e fortalecimento de viveiros florestais.
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