Na paranaense Foz do Iguaçu, o Parque das Aves foi palco do primeiro nascimento de uma rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis) gerada por pais sob cuidados humanos. O feito inédito é um passo crucial para reintroduzir futuramente aves em áreas do Cerrado, sua única morada em ambientes naturais no mundo todo.
A urgência da reintrodução se deve a seus parcos números na natureza, estimados em menos de 20 aves. Essa pindaíba fez a ave ser classificada por órgãos nacionais e internacionais como Criticamente em Perigo em extinção.
O drama do emplumado tem raízes no desmatamento do Cerrado e em sua distribuição naturalmente reduzida. Por décadas, o desconhecimento sobre sua existência atrasou ações de proteção. A espécie era tida como extinta até ser redescoberta, em 2015, 74 anos após seu último registro.
“Agora temos a chance real de formar uma geração de indivíduos que poderão retornar ao Cerrado. Essa conquista nos dá esperança de que ainda é possível reverter o cenário para espécies criticamente ameaçadas”, disse Pedro Develey, diretor-executivo da ong SAVE Brasil.
Para isso acontecer, é necessário manter um esforço coletivo, financiamento e protocolos científicos. Trabalhos hoje apoiados pelo Parque das Aves, zoológicos como os de Chester, Toledo e Bronx, ICMBio e SAVE Brasil, responsável pela criação da Reserva Natural Rolinha-do-planalto, na mineira Botumirim.
Atualmente, há outras 6 rolinhas no Parque das Aves, incluindo um casal reprodutivo. Os primeiros filhotes que lá chegaram foram incubados artificialmente. Todos fazem parte de um programa para formar uma população estável e geneticamente viável.
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