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Pesquisadores registram caso inédito de macaco-prego leucístico no Ceará

É o primeiro caso de leucismo documentado neste gênero de primatas e pode ser um alerta sobre a fragmentação do habitat, alertam os cientistas

Duda Menegassi ·
19 de fevereiro de 2026
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Pesquisadores documentaram pela primeira vez um macaco-prego com leucismo, alteração que deixa o animal com pelos brancos. O registro foi feito ao acaso no Parque Nacional de Ubajara, no Ceará, enquanto os cientistas verificaram gravadores acústicos instalados na área protegida. O leucismo pode ser causado por mutações genéticas e gerou um alerta dos cientistas sobre possíveis impactos que populações pequenas podem sofrer com a fragmentação do habitat e a reprodução entre parentes próximos (endogamia, como chama a ciência).

O animal leucístico trata-se de um filhote de macaco-prego (Sapajus libidinosus), primata de distribuição ampla no país, em especial nas regiões nordeste. O registro é o primeiro também para o gênero, Sapajus, composto por um total de sete espécies distintas de macaco-prego.

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O caso foi relatado em um artigo científico publicado no início de fevereiro no periódico Primates, com acesso aberto.

De acordo com o primatólogo Tiago Falótico, pesquisador do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology, Leipzig, da Alemanha, e um dos autores do estudo, depois de filmar o macaco leucístico em campo, eles encontraram um segundo indivíduo que apresentava manchas no pelo, numa mutação mais sutil, mas que também pode estar associada ao leucismo. “Isso nos levou a pensar que a população talvez esteja fragmentada e com pouca variabilidade genética”, alerta Falótico. 

O leucismo pode ser causado por mutações genéticas influenciadas por condições como habitat empobrecido, dieta inadequada e poluição. Diferente do albinismo, onde há ausência total de melanina, no leucismo apenas os pelos – ou penas – ficam brancos.

“Embora a presença de um indivíduo leucístico não sugira necessariamente um risco iminente para a saúde da população e a variabilidade genética, a presença de dois indivíduos na mesma população com padrões de coloração anormais justifica o monitoramento para detectar possíveis aumentos em fenótipos anômalos, o que poderia sinalizar gargalos genéticos ou fragmentação do habitat”, apontam os pesquisadores no artigo.

O Parque Nacional de Ubajara é o segundo menor do país, com cerca de seis mil hectares. Apesar de inserido no bioma Caatinga, o parque abriga ecossistemas florestais característicos da Mata Atlântica em pleno semiárido brasileiro.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica. →

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