Uma onça-parda (Puma concolor) foi atropelada na Serra da Cantareira, em São Paulo. O fato ocorreu durante a madrugada de sábado (10), na Avenida Senador Ermírio de Moraes, no sentido de subida da Serra da Cantareira.
A via atravessa o Parque Estadual da Cantareira, de 7.916 hectares. Em 1994, a UNESCO (Organização das Nações Unidas Para a Educação, Ciência e Cultura) declarou a unidade de conservação como parte da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da cidade de São Paulo. Conforme as diretrizes do Programa Homem e Biosfera (MAB) da UNESCO, a Reserva da Biosfera tem entre seus objetivos promover a conservação ambiental, o desenvolvimento sustentável e a difusão do conhecimento tradicional e científico.
Apesar destas diretrizes, a Brigada Florestal Caxinguelê, organização voluntária dedicada a prevenção e combate a incêndios florestais na região, frisa que o atropelamento do felino é mais um episódio que evidencia a negligência do poder público quanto à gestão de uma estrada que atravessa uma área ambiental sensível.
De acordo com a organização, a via não possui sistema de monitoramento por câmeras, fiscalização permanente, ou mesmo sinalização para travessia de animais silvestres. A carência destas medidas é somada ao tráfego irregular de caminhões e o descarte ilegal de resíduos sólidos.
Neste domingo (18), a Brigada Popular Florestal Caxinguelê realizará um Ato em defesa da fauna. O encontro está previsto para às 14h, no Portal da Polícia Militar na Serra da Cantareira.

Ameaçada em São Paulo
A onça-parda (Puma concolor) está presente em todos os biomas brasileiros, e é classificada como Vulnerável à Extinção (VU) no estado de São Paulo desde 2018. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), algumas das principais ameaças à espécie incluem a fragmentação de habitats, caça e atropelamentos.
Pesquisadores ligados ao ICMBio explicam que as rodovias representam uma ameaça não somente à perda de indivíduos por atropelamento, mas também por atuarem como barreira à dispersão do cruzamento entre as populações. Questões como estas podem afetar diretamente a viabilidade dessas em longo prazo. Entre 2012 e 2017, foram registradas 44 onças-pardas mortas por atropelamento no estado de São Paulo.
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