Iniciativas para restaurar a vegetação natural em regiões semi áridas podem manter e recuperar fontes de água e outros serviços ambientais, beneficiando pessoas e economias, bem como engordar a receita líquida de administrações públicas.
Uma produção rural ancorada em agroflorestas e outras práticas menos danosas aos ambientes nativos da Caatinga ajudam a restaurar áreas degradadas pela desertificação, secas e temperaturas em alta no Quilombo Lagoas, no município de São Raimundo Nonato, no Piauí.
Já no norte de Minas Gerais, a mais de 700 km ao norte da capital Belo Horizonte, solos e paisagens naturais do Cerrado são revigorados na região do Alto Rio Pardo, reconhecida por sua rica biodiversidade.
Em ambas as localidades, o trabalho envolve comunitários na coleta de sementes, preservação de fontes de água, vegetação nativa e modos de vida tradicionais, educação ambiental, monitoramento da paisagem e outras ações climáticas e conservacionistas.
As duas iniciativas integram desde o início do ano o GLF, sigla em Inglês do Fórum Global de Paisagens. Ele conecta grupos locais, liderados sobretudo por jovens e mulheres, com parceiros estratégicos para facilitar aprendizados, financiamentos e gestão, sempre voltados à restauração ecológica.

“Esperamos trazer atenção para a nossa querida Caatinga e inspirar outras pessoas, aqui e no mundo todo”, disse Maria Geane Magalhães, coordenadora do trabalho no Quilombo Lagoas, a mais de 500 km ao sul da capital Teresina (PI).
Coordenador da ação no Alto Rio Pardo, Nondas Ferreira da Silva descreve que restaurar o Cerrado é muito mais do que plantar árvores, pois inclui resgatar conexões perdidas entre pessoas, terra e suas histórias.
“Cada semente que plantamos representa não apenas o renascimento de um ecossistema, mas também a esperança de um futuro mais justo e sustentável para as comunidades e os povos tradicionais que chamam o Cerrado de lar”, avaliou.
Podem haver outras iniciativas de restauração ecológica nas regiões onde atua o Fórum Global de Paisagens.
Os recursos da iniciativa vêm de entidades como Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), Iniciativa Climática Internacional (IKI), Sistemas Alimentares, Uso da Terra e Restauração (Folur), Rede Internacional de Florestas Modelo (IMFN), governos europeus e do Canadá.

Além de manter fontes de água e beneficiar a produção rural, restaurar a Caatinga pode gerar empregos, capturar gases que agravam a crise do clima e engordar os cofres governamentais, esclarece uma análise do Instituto Escolhas, de São Paulo (SP).
O levantamento aponta que implantar agroflorestas junto a rios e córregos em assentamentos federais no Ceará pode empregar 66,4 mil pessoas, produzir 3,66 milhões toneladas de alimentos e remover 2,49 milhões de toneladas de CO₂ da atmosfera, em 30 anos.
Cerca de 15 mil hectares de vegetação nativa ao longo de cursos d’água são passíveis de recuperação em 415 loteamentos da reforma agrária listados pelo estudo no estado nordestino.
Também foi estimado que o investimento de R$ 1,33 bilhão na restauração ecológica pode gerar uma receita líquida de R$ 3,78 bilhões para os cofres estatais, ou um retorno 2,8 vezes sobre o valor aplicado.
Bioma exclusivo do Brasil, a Caatinga cobre nove em cada dez hectares no Ceará, o restante é Mata Atlântica. O Cerrado é uma das maiores fontes de água no país. Ambos os biomas são centros mundiais de biodiversidade.
*Com informações do Fórum Global de Paisagens (GLF) e do Instituto Escolhas.
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