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Estudo amplia registros de ave ameaçada na Caatinga após 13 anos de monitoramento

Pesquisa do Cemafauna/Univasf analisou a ocorrência do arapaçu-do-nordeste em áreas monitoradas entre 2012 e 2025 e identificou 17 novos registros da espécie

Luisa Teixeira ·
8 de outubro de 2026
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Um estudo sobre a ocorrência do arapaçu-do-nordeste (Xiphocolaptes falcirostris) na Caatinga identificou 17 novos registros da espécie após 13 anos de monitoramento da avifauna no Nordeste. A pesquisa analisou dados coletados em expedições de campo realizadas entre 2012 e 2025 e buscou ampliar o conhecimento sobre a distribuição da ave, considerada associada a áreas de floresta seca bem conservadas.

O trabalho foi realizado por pesquisadores do Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), e publicado na revista científica internacional Check List. Ao todo, foram analisados registros obtidos durante 358 expedições realizadas em 39 unidades amostrais.

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Para identificar as espécies presentes nas áreas monitoradas, os pesquisadores utilizaram diferentes métodos de levantamento da avifauna, incluindo contagem por pontos, transectos e redes de neblina. O arapaçu-do-nordeste foi encontrado em apenas quatro das 39 unidades analisadas. Em três delas, foram registrados novos locais de ocorrência da espécie.

Os resultados ajudam a preencher lacunas sobre a distribuição do arapaçu-do-nordeste e a identificar ambientes importantes para sua permanência. O acompanhamento por um período prolongado também permitiu reunir informações que poderiam não ser identificadas em levantamentos pontuais.

O estudo registrou ainda diferentes pressões nos ambientes onde a ave foi encontrada, entre elas retirada seletiva de madeira, produção ilegal de carvão, supressão da vegetação, uso do fogo e pecuária extensiva. As atividades alteram a vegetação e podem comprometer as condições necessárias para a permanência de espécies associadas a áreas mais conservadas.

“Esse trabalho reúne informações construídas ao longo de muitos anos de monitoramento e presença em campo. Quando registramos uma espécie como o arapaçu-do-nordeste em novas localidades, não estamos apenas adicionando pontos a um mapa de distribuição. Estamos produzindo informações que ajudam a compreender onde essa ave ainda ocorre, quais ambientes são importantes para sua permanência e quais pressões estão presentes nessas áreas. Esse conhecimento é fundamental para orientar novos estudos e subsidiar ações de conservação da espécie e da própria Caatinga”, destaca o pesquisador Paulo de Tarso Sambugaro Santos, primeiro autor do estudo.

Intitulado “Corroboration of and additional records of Xiphocolaptes falcirostris (Spix, 1824) (Passeriformes, Dendrocolaptidae) in northeastern Brazil”, o artigo está disponível em acesso aberto na revista Check List.

*Com informações da Assessoria de Comunicação do Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna/Univasf)

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