Localizado a menos de 50 quilômetros de Teresina, a Floresta Petrificada de Altos, no Piauí, guarda um raro testemunho do passado e uma das maiores florestas fossilizadas do país. Apesar do patrimônio paleontológico, histórico e ambiental, a área segue desprotegida e impactada por desmatamento, queimadas, produção de carvão e criação irregular de animais, como porcos, denunciam paleontólogos. Os pesquisadores pedem urgência na criação de uma unidade de conservação e um parque paleontológico no local que ajudariam a preservar a área, promover turismo científico e o desenvolvimento sustentável para a comunidade local.
Em um comunicado, a Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP) alerta que a área está sob grave ameaça. “A abertura de uma estrada municipal já destruiu vários troncos fossilizados, e há planos para uma linha de transmissão que cruzaria a área”, denunciam os paleontólogos. A construção da estrada no interior da floresta petrificada foi interrompida pelo Ministério Público do Estado do Piauí.
Um abaixo-assinado pela proteção da área foi criado pelo professor de Paleontologia da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Juan Cisneros, no final de dezembro, que destaca “a ausência de proteção efetiva ao sítio paleontológico, que permanece vulnerável, degradado e amplamente desconhecido pela população”. Até o fechamento deste texto, a petição somava mais de 1.500 assinaturas.
A petição ressalta que, para além do valor paleontológico, a área tem uma extrema importância ambiental, com nascentes, mata de cocais e buritizais.
A Floresta Petrificada de Altos abriga mais de 70 troncos fossilizados de coníferas (árvores como pinheiros) que já cobriram a região nordeste do país. Os fósseis são da Era Paleozoica – de 542 a 251 milhões de anos atrás –, anteriores aos dinossauros. Alguns dos troncos chegam a quase dois metros de diâmetro.
A área pertence atualmente ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e integra a Reserva Legal do assentamento Brejo São Benedito, no município de Altos. Uma das soluções para aumentar a proteção da floresta, apontam os paleontólogos, é anexá-la à vizinha Floresta Nacional de Palmares e passá-la para gestão do ICMBio.
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