O Eco+ | Edição #300 | julho/2026
12 de julho de 2026
Um estudo publicado na revista EcoHealth revelou que macacos da Amazônia estão sendo contaminados pela versão humana do vírus da hepatite B em áreas afetadas pelo desmatamento e pela presença humana. A pesquisa, liderada por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz de Rondônia e da University of Salford, analisou 88 primatas de 28 espécies em regiões preservadas e degradadas da Amazônia. Nas áreas impactadas, um terço dos animais testou positivo para o vírus, enquanto nenhum caso foi registrado na região preservada. Os genótipos encontrados correspondem às cepas que circulam entre humanos, reforçando a hipótese de transmissão de pessoas para a fauna silvestre, fenômeno conhecido como zoonose reversa. Segundo notícia escrita pela repórter especial de ((o))eco, Duda Menegassi, o estudo alerta que o avanço do desmatamento, da caça e do tráfico de animais aumenta o risco desse tipo de contaminação, inclusive em espécies ameaçadas, como macacos-aranha, guaribas e zogue-zogues.
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Na coluna de estreia da bióloga Yara de Melo Barros em ((o))eco, a coordenadora do Projeto Onças do Iguaçu relembra o resgate da jovem onça Nômade, que estava rondando uma propriedade privada perto do Parque Nacional do Iguaçu. Os donos do local, que já conheciam o trabalho do projeto – e sensibilizados com a existência da onça livre na natureza –, pediram ajuda para manter o felino longe. Após tentativas de afugentar o jovem macho, foi feito captura e translocação para outro local. O final feliz só foi possível porque o casal Gilson e Gabriela decidiram não ter medo, conta Yara. “Nosso objetivo dos sonhos é outro: que as pessoas continuem admirando uma onça mesmo depois que ela passa pelo quintal. Que o medo não seja o único sentimento possível. Nem sempre conseguimos. Mas trabalhamos para isso”.
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Com um interesse especial em lobos-guarás, o veterinário Otávio Maia colecionou por três décadas uma bibliografia extensa sobre este canídeo para lá de especial e conta, em coluna exclusiva em ((o))eco, como foi o trabalho para reunir cerca de 1.500 referências produzidas desde 1802, abrangendo temas como ecologia, conservação, genética, reprodução, veterinária, manejo em zoológicos e divulgação científica. A coluna resgata a história do lobo-guará desde as primeiras descrições da espécie no início do século XIX até a consolidação de sua classificação taxonômica, destacando como naturalistas perceberam que o animal diferia dos lobos europeus por seu comportamento solitário, anatomia e hábitos alimentares. “Esses números também revelam que o lobo-guará, com suas orelhas grandes e patas compridas – ao mesmo tempo elegante e desengonçado – seduziu dezenas de pesquisadores que dedicaram meses ou anos a pesquisas que revelassem o modo de vida dessa espécie tão singular’, narra Maia.
Boa leitura!
Redação ((o))eco
· Destaques ·
Hepatite B humana é registrada pela 1ª vez em primatas na Amazônia brasileira
Quando o medo não decide sozinho
Que orelhas grandes você tem!
· Conservação no Mundo ·
Tempo quente. A atualização mais recente da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) revelou que mais de 60% das espécies de moluscos que vivem em fontes hidrotermais no fundo do oceano estão ameaçadas de extinção. O principal risco é a expansão da mineração em águas profundas, que pode destruir ecossistemas únicos antes mesmo que muitas dessas espécies sejam plenamente estudadas. [Reuters]
Luta contra a bioinvasão. Começou nesta semana o Florida Python Challenge, competição que incentiva voluntários a capturar pítons-birmanesas, uma das maiores ameaças à biodiversidade dos Everglades. A espécie invasora preda mamíferos, aves e répteis nativos e se reproduz rapidamente. O desafio faz parte da estratégia de manejo da fauna invasora do estado e oferece prêmios em dinheiro aos participantes que removerem mais serpentes. [People]
· Dicas Culturais ·
• Para ler •
Heranças | Eduardo Barchiesi
Com 88 páginas e projeto gráfico artesanal, a obra é um mergulho nos legados – de bens e de males – que a humanidade vem construindo e transmitindo de geração em geração. A coletânea escancara o preço do consumismo, da degradação ambiental e das injustiças sociais – e ainda encontra espaço para a esperança.
• Para ler •
Quem és tu diante da Água? Um Esporro do Rio | JuKa Ladeira
O que a natureza diria se pudesse falar? A obra de JuKa Ladeira transforma Água, Fogo, Terra e Ar – além do próprio Planeta – em vozes narrativas para confrontar a arrogância humana e propor um deslocamento de perspectiva. O livro convida a aprender com os elementos outra forma de convivência, baseada em troca, interdependência e equilíbrio.
• Para ouvir •
Earth Song | Michael Jackson
Lançada em 1995 no álbum HIStory: Past, Present and Future, Book I, “Earth Song” aborda temas como desmatamento, destruição de habitats, poluição, perda da biodiversidade e os efeitos das guerras sobre a natureza, a partir de questionamentos como “What have we done to the world?” (“O que fizemos com o mundo?”). Além de tratar de questões humanitárias, a composição tem como foco a conservação ambiental, tema também presente no videoclipe, que retrata a degradação de florestas, queimadas, caça de animais e encerra com uma representação da recuperação da natureza.






