A próxima legislatura do Congresso Nacional terá maioria de parlamentares classificados nas faixas de baixa ou muito baixa convergência com a agenda de proteção ambiental e climática, segundo análise do Observatório do Clima (OC). Dos 594 deputados e senadores que integrarão a 58ª Legislatura, 409 (68,9%) estão nesses dois grupos. O cenário representa uma piora em relação à composição atual das duas Casas e é mais acentuado no Senado.
Entre os 81 senadores que assumirão em 2027, 64 (79%) estão nas faixas Baixa ou Muito Baixa de convergência ambiental. Na legislatura atual, são 58 senadores (71,6%), o que representa uma alta de 7,4 pontos percentuais. Na Câmara, 345 dos 513 deputados eleitos (67,3%) estão nas duas faixas inferiores, ante 63% na atual composição. Com isso, o grupo de parlamentares classificados como de Boa ou Muito Boa convergência cai de 181 para 168 cadeiras na Câmara e de 19 para 17 no Senado.
O levantamento aponta ainda o crescimento do PL como uma das principais mudanças na composição do Congresso. No Senado, o partido passa de 15 para 28 cadeiras entre a atual e a próxima legislatura, ocupando 34,6% das vagas. Na Câmara, a bancada cresce de 98 para 121 deputados, o equivalente a 23,6% da Casa. Segundo o OC, o aumento do peso da legenda altera a correlação de forças e pode influenciar a definição de pautas, relatorias, presidências de comissões e da Mesa Diretora.
A renovação do Senado também contribui para a piora do perfil ambiental projetado. Dos 54 senadores eleitos em 2026, 40 são novos na Casa e 33 deles (82,5%) estão nas faixas Baixa ou Muito Baixa de convergência, enquanto entre os 14 reeleitos a proporção é de 71,4%. Na Câmara, 148 dos 212 novos deputados (69,8%) estão nas duas faixas inferiores, contra 65,4% entre os 301 parlamentares reeleitos.
“Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço para aqueles que atuam em clima e meio ambiente, e muita preocupação tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática. Somando com um governo negacionista de Flávio Bolsonaro, isso significará o caos ambiental”, afirma Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima. Para ela, o potencial para liderar pautas socioambientais vem de alguns parlamentares da Câmara, já que há deputados progressistas alinhados à agenda que conquistaram votações expressivas..
Para chegar à classificação, o Observatório do Clima utilizou prioritariamente dados do Farol Verde, plataforma do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), que calcula o Índice de Convergência Ambiental (ICAt) a partir dos votos dos parlamentares em temas socioambientais. Quando não havia dados individuais, foram utilizados como referência o índice médio dos partidos e o histórico dos eleitos em cargos públicos e na formulação de políticas relacionadas ao meio ambiente. Na Câmara, 306 dos 513 parlamentares tiveram classificação diretamente baseada no ICAt; no Senado, foram 56 dos 81.
A análise ressalta que a classificação partidária não determina como cada parlamentar votará e que parte dos resultados é estimada pela ausência de dados individuais. Ainda assim, o OC avalia que a nova correlação de forças deverá aumentar a necessidade de negociação para a aprovação de medidas de proteção ambiental e climática e elevar o risco de avanço de propostas de flexibilização da legislação.
*Com informações do Observatório do Clima.
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